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25 anos do 11 de Setembro: 1.100 vítimas seguem sem identificação e o julgamento só começa em 2028

Cerimônia no Marco Zero leu os nomes dos 2.977 mortos nesta quinta-feira. No corpo de bombeiros de Nova York, as mortes por doença já superam as do dia do ataque

Redação Em Pauta••Atualizada
Arte em formato horizontal, com fundo em tons escuros de azul e preto. No lado direito, aparece a imagem das Torres Gêmeas, em Nova York, no momento em que uma explosão atinge uma das torres, com fumaça preta intensa subindo ao céu. No lado esquerdo, sobre uma área escurecida, está o texto em destaque: “25 anos, 3 mil horas de arquivo”. Acima, em letras menores, aparecem os nomes “Nova York · Washington · Shanksville”. Abaixo do título, há a frase: “O evento mais documentado do século - e quase tudo está aberto.” Na parte inferior, uma linha do tempo mostra horários marcando momentos do atentado. No canto inferior direito, está a logomarca do Em Pauta com o slogan “Histórias que aproximam. Pessoas que transformam.”

O primeiro sino tocou às 8h46 desta quinta-feira, o horário em que o voo 11 da American Airlines atingiu a Torre Norte do World Trade Center. Depois vieram os outros cinco: 9h03, o segundo avião; 9h37, o Pentágono; 9h59 e 10h28, os colapsos; e 10h03, a queda do voo 93 em um campo da Pensilvânia. Entre um sino e outro, familiares leram em voz alta os nomes das 2.977 pessoas mortas há exatamente 25 anos. Como acontece desde 2002, não houve discursos.

A cerimônia central foi no Marco Zero, em Manhattan, com a presença do vice-presidente JD Vance e de ex-presidentes americanos. O presidente Donald Trump não compareceu: pelo segundo ano seguido, participou da homenagem no Pentágono, em Arlington, na Virgínia. Outros integrantes do governo foram a Shanksville, onde caiu o quarto avião.

Na véspera, 2.977 drones - um para cada vítima - sobrevoaram a baía de Nova York e reconstituíram no ar o desenho das duas torres. O efeito durou alguns minutos, ao lado do Tribute in Light, os dois feixes de luz que sobem do Marco Zero em todo 11 de setembro desde 2002 e são, hoje, a imagem mais reconhecível da data.

Os números do atentado não mudaram: 2.753 mortos em Nova York, 184 no Pentágono e 40 no voo 93, pessoas de 90 nacionalidades. O que mudou em 25 anos é tudo o que veio depois - e boa parte continua em aberto.

Quarenta por cento sem identificação

Um quarto de século depois, cerca de 1.100 das vítimas de Nova York nunca tiveram seus restos identificados. É aproximadamente 40% do total - famílias que enterraram um caixão vazio ou não enterraram nada.

O Escritório do Médico Legista Chefe da cidade nunca encerrou o caso. Em agosto, identificou a vítima de número 1.651 usando uma técnica que não existia em 2001: a genealogia genética forense investigativa, que cruza perfis de DNA degradados com bancos de árvores genealógicas para chegar a um nome por parentesco, e não por comparação direta.

"É um avanço", disse o médico legista-chefe Jason Graham, ao anunciar a aplicação do novo método. A antropóloga forense Jennifer Odien, que integra a equipe, ponderou que nem todo caso serve para a técnica, mas afirmou que o laboratório trabalha com 47 perfis de DNA promissores. "Há um futuro promissor com a genealogia", disse o detetive Gregory Paduano, do Departamento de Polícia de Nova York.

Os fragmentos recuperados no Marco Zero seguem armazenados em um repositório sob o memorial, à espera de tecnologia que ainda não foi inventada.

Mais mortos depois do que no dia

A conta mais dura dos 25 anos é outra. O Corpo de Bombeiros de Nova York já perdeu 453 integrantes para cânceres e doenças respiratórias associadas à exposição aos destroços do World Trade Center - mais do que os 343 que morreram no dia do atentado.

O departamento marcou o aniversário reconhecendo que a perda nunca parou. A comissária Lillian Bonsignore afirmou que a corporação continua enterrando seus membros por doença nos anos seguintes ao ataque. O chefe do departamento, John Esposito, disse ter acompanhado colegas adoecerem ao longo de duas décadas e classificou as perdas como devastadoras.

O quadro não se limita aos bombeiros. Policiais, agentes de limpeza, trabalhadores da construção e moradores do sul de Manhattan que respiraram a poeira daqueles meses formam hoje a população acompanhada pelo World Trade Center Health Program, o programa federal de saúde criado para tratá-los - e cujo financiamento tem sido objeto de disputas orçamentárias recorrentes no Congresso americano.

O julgamento que não começa

No campo judicial, os 25 anos passaram sem sentença. Khalid Sheikh Mohammed, apontado como o principal planejador dos ataques, foi capturado no Paquistão em 2003 e está preso na base americana de Guantánamo, em Cuba, desde 2006. O caso acumula mais de 13 anos de audiências preliminares sem nunca ter chegado a júri.

Em 2024, promotores militares fecharam um acordo de delação com Mohammed e outros dois réus: eles se declarariam culpados em troca de prisão perpétua, afastando a pena de morte. O acordo foi anulado por um tribunal federal de recursos no ano seguinte. Parte das famílias das vítimas comemorou; outra parte, que via no acordo a única chance de ouvir uma confissão em vida, reagiu com frustração. Um juiz militar marcou o julgamento para 2028. Advogados envolvidos no caso avaliam que ele pode nunca acontecer.

Quatro brasileiros

O Itamaraty reconheceu oficialmente três brasileiros entre as vítimas: Ivan Kyrillos Barbosa, 30 anos, que trabalhava no 105º andar da Torre Norte, na corretora Cantor Fitzgerald; Sandra Fajardo Smith, mineira de 37 anos, coordenadora de contabilidade no 98º andar, exatamente na faixa atingida pelo primeiro avião; e Anne Marie Sallerin, 29, que havia se mudado para Nova York com o marido pouco antes.

Um quarto nome, Nilton Fernão Cunha, de 41 anos, aparece nos registros do atentado sem confirmação oficial do governo brasileiro - a família não forneceu material genético para o exame de identificação.

Dossiê completo: https://bit.ly/3UMBOX4

Pauta apurada em fontes primárias: National September 11 Memorial & Museum (números oficiais das vítimas), Escritório do Médico Legista Chefe de Nova York (identificações), FDNY (mortes por doença), comissão militar de Guantánamo (andamento processual) e registros do Itamaraty via imprensa brasileira (vítimas brasileiras).

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