O ultramaratonista avareense Alexandre Saraiva de Oliveira, conhecido como Caveira, conquistou o primeiro lugar na categoria masculina de 50 a 54 anos nos 42 quilômetros da GBC Trail Run, disputada no domingo, 11 de outubro, em Botucatu. Segundo o relato encaminhado à redação, ele completou o percurso em 5 horas e 27 minutos e terminou na 11ª colocação geral. A faixa etária aparece na identificação do troféu apresentado.
Foram mais de cinco horas de esforço em um trajeto que, nas palavras do atleta, combinou paisagens bonitas com dificuldades para quem precisava atravessá-las correndo. “Prova bem técnica”, resumiu Caveira.
A competição, organizada pela GoUp Corrida, chegou à oitava edição com arena no Mirante do Dú Martins. Além dos 42 km, a programação incluiu percursos de 6, 12 e 21 quilômetros.
A distância conta apenas uma parte da história
Em uma corrida de trilha, completar 42 quilômetros exige lidar com as mudanças do terreno a cada trecho. A velocidade precisa acompanhar as condições do caminho, enquanto o corredor administra o esforço para continuar avançando.
Caveira informou cerca de 1.800 metros de elevação em seu relato. Para a distância disputada, a organização divulgou 1.717 metros de ganho acumulado de subida — a soma dos desníveis vencidos ao longo do percurso.
Esse esforço vertical ajuda a explicar a exigência da prova. O desempenho depende da distância, mas também das subidas, descidas e características do terreno. Um tempo registrado em trilha, portanto, não pode ser comparado diretamente ao de uma corrida plana no asfalto.
Subir exige energia; descer exige controle
Nas subidas, o atleta precisa encontrar um ritmo que permita vencer a inclinação sem comprometer a continuidade da prova. Conforme o terreno, alternar corrida e caminhada pode fazer parte da estratégia.
Nas descidas, a dificuldade muda. Os músculos trabalham para controlar a velocidade e amortecer os impactos, enquanto o corredor escolhe os pontos de apoio e mantém o equilíbrio.
Com o cansaço acumulado, sustentar essa atenção se torna mais difícil. Estudos sobre corrida em trilha apontam que fadiga e irregularidades no solo podem contribuir para quedas, torções e outras lesões.
Competir nesse tipo de percurso exige resistência, força e capacidade de tomar decisões durante o esforço. Saber quando acelerar, reduzir o ritmo ou preservar energia integra a execução da prova.
O trabalho que acontece antes da largada
A preparação para competições desse porte envolve continuidade. O desenvolvimento da resistência precisa ser acompanhado de adaptação às trilhas, fortalecimento muscular e equilíbrio entre treinamento e recuperação.
Treinos em subidas e descidas ajudam a preparar o corredor para exigências diferentes das encontradas em percursos planos. A progressão das cargas deve considerar a experiência e a resposta individual ao esforço.
Também há uma rotina de organização fora do esporte: reservar tempo para treinar, dormir e recuperar-se, conciliando essas necessidades com trabalho, família e outras responsabilidades.
Inscrições, deslocamentos, equipamentos, alimentação e eventual hospedagem compõem os custos das competições. Não foram informados à redação os gastos, a rotina de treinamento ou o acompanhamento profissional de Caveira.
Alimentar-se e hidratar-se enquanto a prova continua
Em uma corrida prolongada, a reposição de energia e líquidos integra a estratégia. O atleta precisa considerar suas necessidades, a tolerância aos alimentos e os intervalos entre os pontos de abastecimento.
Na GBC, o guia dos 42 km previa cinco pontos de hidratação, entre os quilômetros 2,4 e 36. A orientação era planejar o consumo entre essas paradas.
A ingestão insuficiente pode prejudicar o desempenho, enquanto o excesso de água também pode trazer riscos. Náuseas e desconfortos gastrointestinais são outros problemas que podem dificultar a alimentação em provas de resistência.
Por isso, testar a estratégia nos treinos e contar com orientação individualizada são medidas relevantes para a preparação.
Concentração e segurança também fazem parte do desempenho
O esforço físico vem acompanhado de decisões. Administrar a ansiedade, lidar com o cansaço e manter a concentração são desafios das competições de longa duração.
Em ambientes naturais, mudanças no clima e nas condições do terreno podem acrescentar dificuldades. A escolha dos equipamentos e a atenção às orientações da organização integram o planejamento.
Para a GBC, eram obrigatórios reservatório de hidratação com capacidade mínima de 500 ml, apito de emergência e lanterna de cabeça para túneis e trechos com pouca iluminação.
Reconhecer os próprios limites também faz parte da participação. Reduzir o ritmo, solicitar ajuda ou interromper a corrida são decisões de segurança. O guia orientava quem abandonasse a prova a comunicar a equipe responsável.
Recuperar-se é parte da continuidade no esporte
Os desafios não terminam na chegada. Depois de uma prova exigente, sono, alimentação, hidratação e descanso participam do processo de recuperação.
Entre os problemas descritos na literatura sobre corredores de trilha estão lesões nos pés, tornozelos, joelhos e pernas, além de bolhas, assaduras e dores musculares.
O retorno aos treinos precisa considerar a resposta do organismo e eventuais sintomas. Descanso insuficiente, aumento excessivo das cargas e retorno precipitado após lesões podem comprometer a continuidade esportiva.
Essas são exigências gerais da modalidade, sem indicação de que Caveira tenha apresentado esses problemas durante a competição.
Uma trajetória de resistência representando Avaré
A conquista em Botucatu se soma à trajetória de Caveira em provas de resistência. Em abril de 2025, a Prefeitura de Avaré registrou sua terceira colocação geral no solo masculino da Ultra Desafio Beach, em Bertioga, em um percurso de 56,42 quilômetros.
Sobre a experiência na GBC, o atleta destacou o aprendizado adquirido ao longo do caminho. “Tive muito aprendizado”, afirmou.
Ao resumir sua participação, Caveira também expressou sua fé: “Deus me guiando sempre”.
Para quem pretende começar a correr em trilhas, a experiência de provas desse porte reforça a importância de preparação gradual, escolha de uma distância compatível com o condicionamento e atenção à segurança em cada etapa.