Avaré e Arandu recebem, entre os dias 6 e 8 de outubro, um exercício de resposta a emergências zoossanitárias promovido pela Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A abertura aconteceu nesta terça-feira (6), na Fazenda Eduvale, em Avaré, reunindo representantes de diferentes regiões paulistas.
O treinamento tem como objetivo preparar e aperfeiçoar as equipes do Serviço Veterinário Oficial para situações em que seja necessária uma resposta rápida diante de uma eventual crise envolvendo a saúde animal.
A abertura foi conduzida por César Augusto Martins Moura, médico-veterinário e chefe do Departamento Regional de Defesa Agropecuária de Avaré. O departamento abrange Avaré, Arandu e dezenas de outros municípios das regiões de Itapeva e Ourinhos. Também participou da programação Gerson Fiuza, secretário municipal de Agricultura e Abastecimento de Avaré e integrante da Defesa Agropecuária, atualmente afastado do órgão estadual para o exercício da função municipal.
Treinar antes que uma emergência aconteça
O princípio do exercício é reproduzir, de forma controlada, situações semelhantes às que poderiam ser enfrentadas caso surgisse uma emergência sanitária animal.
Durante os três dias haverá movimentação de servidores e veículos oficiais, atividades em propriedades rurais e ações em estradas de Avaré e Arandu.
Na quarta-feira (7), a programação prevê atividades de fiscalização, abordagem de veículos e procedimentos de vigilância epidemiológica.
O treinamento não representa a confirmação de uma crise sanitária em Avaré ou na região. A proposta é justamente preparar as equipes antes que uma situação real aconteça, identificando dificuldades, testando procedimentos e melhorando a capacidade de resposta.
Poder de polícia em uma crise sanitária
Um dos pontos centrais da preparação é garantir que os agentes conheçam não apenas os procedimentos técnicos, mas também os instrumentos legais disponíveis em uma situação de emergência.
A legislação atribui à Defesa Agropecuária poder de polícia administrativa para atuar na proteção da sanidade animal. Dependendo da situação e dos critérios técnicos previstos em lei, o órgão pode fiscalizar propriedades e veículos, controlar ou restringir o trânsito de animais, apreender animais e produtos, interditar áreas ou estabelecimentos e suspender atividades que representem risco sanitário.
Em situações mais graves e dentro das hipóteses previstas na legislação, podem ser adotadas medidas como sacrifício ou abate sanitário de animais para impedir a disseminação de determinada doença. A regulamentação paulista também prevê a possibilidade de solicitação de apoio policial para garantir o cumprimento das medidas sanitárias.
É justamente por envolver decisões rápidas e de grande impacto que a preparação antecipada das equipes é considerada parte essencial do sistema de defesa sanitária.
Por que isso importa para Avaré e região
Uma emergência zoossanitária pode ultrapassar os limites de uma propriedade rural. Dependendo da doença envolvida, um foco pode afetar produtores, transporte de animais, frigoríficos, eventos agropecuários, circulação de mercadorias e toda a cadeia econômica relacionada à produção animal.
Também pode haver consequências para o comércio entre estados e para as exportações brasileiras. Por isso, identificar rapidamente uma suspeita, delimitar a área afetada e impedir a disseminação de uma doença são etapas fundamentais para proteger os rebanhos e preservar o status sanitário de uma região. Para Avaré, município com forte presença do agronegócio, criação animal e realização de eventos agropecuários, esse tipo de preparação ganha importância adicional.
Regras internacionais e comércio exterior
A preparação para emergências sanitárias também está relacionada às exigências do comércio internacional. A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) estabelece padrões internacionais voltados à saúde e ao bem-estar animal e à segurança sanitária do comércio de animais e produtos de origem animal.
Entre as recomendações está a existência de planejamento para emergências, com planos de preparação, planos de resposta ou contingência, definição de responsabilidades e exercícios de simulação que permitam verificar se o sistema funciona antes de uma ocorrência real.
Esses padrões servem de referência para os serviços veterinários dos países e ajudam a dar segurança ao comércio internacional. Uma crise mal controlada pode levar parceiros comerciais a estabelecer restrições sanitárias. Por outro lado, a existência de vigilância estruturada, capacidade de diagnóstico, rastreabilidade e resposta rápida contribui para demonstrar a segurança sanitária da produção.
Exercício continua até quinta-feira
As atividades seguem até quinta-feira (8) em Avaré e Arandu. Além do trabalho de campo, o exercício permitirá que as equipes avaliem os procedimentos adotados e identifiquem eventuais pontos que precisam ser aperfeiçoados. A movimentação de fiscais e veículos oficiais observada durante o período faz parte da simulação programada.
Para produtores rurais e moradores, o principal ponto é que o treinamento tem caráter preventivo: prepara o Serviço Veterinário Oficial para responder de maneira coordenada caso uma emergência sanitária animal venha efetivamente a ocorrer.
Fontes: Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo - informações sobre o exercício de resposta a emergências zoossanitárias em Avaré e Arandu, 6 de outubro de 2026. César Augusto Martins Moura, chefe do Departamento Regional de Defesa Agropecuária de Avaré - informações apresentadas na abertura do exercício, 6 de outubro de 2026. Gerson Fiuza, secretário municipal de Agricultura e Abastecimento de Avaré e integrante da Defesa Agropecuária - informações sobre a atividade, 6 de outubro de 2026. Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo - estrutura do Departamento Regional de Avaré e identificação de César Augusto Martins Moura como chefe da unidade. Estado de São Paulo - Lei nº 10.670/2000 e Decreto nº 45.781/2001, medidas de defesa sanitária animal, fiscalização, controle de trânsito, interdição e demais providências sanitárias. Estado de São Paulo - Decreto nº 69.664/2025, atribuições da Defesa Agropecuária e exercício do poder de polícia. Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) - padrões e orientações sobre preparação para emergências, planejamento e exercícios de simulação. Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) - implementação de padrões internacionais relacionados à saúde animal e ao comércio seguro de animais e produtos de origem animal.









