Avaré aparece diretamente em uma das maiores investigações já realizadas no país sobre suspeitas de irregularidades no setor de combustíveis. A primeira fase da Operação Carbono Oculto teve dois alvos no município e um em Cerqueira César. Além disso, Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco e apontado pela imprensa regional como natural de Avaré, é um dos nomes investigados em desdobramentos do caso.
Agora, uma nova etapa da apuração voltou a movimentar a investigação. A Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Quasar e indiciou 13 executivos ligados a fundos de investimento, corretoras e fintechs por suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.
Beto Louco não está entre os 13 indiciados nesta investigação específica.
Segundo a PF, a estrutura financeira investigada teria sido utilizada para ocultar recursos relacionados às empresas Copape e Aster, do setor de combustíveis, e teria auxiliado Beto Louco e o empresário Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo.
O relatório foi enviado ao Ministério Público Federal, que poderá apresentar denúncia à Justiça, solicitar novas diligências ou pedir o arquivamento. O indiciamento não representa condenação.
Avaré já havia aparecido na investigação
A presença de Avaré no caso não começou agora.
Quando a Operação Carbono Oculto foi deflagrada, em agosto de 2025, dois alvos estavam no município e um em Cerqueira César.
Naquele período, veículos da região também relataram possíveis ligações de Beto Louco com postos de combustíveis nas duas cidades.
Essas informações, no entanto, não permitem atribuir irregularidades de forma generalizada a postos, empresários ou trabalhadores da região.
Até o momento, não há decisão judicial apresentada ao Em Pauta Avaré que responsabilize estabelecimentos locais de forma ampla pelo esquema investigado.
Quem é Beto Louco no caso
Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, aparece em diferentes frentes da investigação.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, ele e Primo estão foragidos desde agosto de 2025.
Em 18 de agosto de 2026, o MPSP denunciou Beto Louco e outras 15 pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro em investigação relacionada ao desvio de metanol utilizado para adulteração de combustíveis na Grande São Paulo entre 2017 e 2025.
No início de setembro, Beto Louco e Primo foram novamente denunciados, desta vez por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Um dos episódios citados pelo Ministério Público envolve a compra de dois imóveis em Catanduva, por R$ 3,9 milhões, destinados à sede do Grupo Itajobi. Segundo a acusação, os recursos passaram pela conta de uma instituição de pagamento para ocultar sua origem.
A defesa de Beto Louco afirmou que os fatos não têm relação com ele e que pretende demonstrar a improcedência das acusações e a nulidade do processo.
Usina Rio Pardo coloca região novamente no foco
Outro ponto que interessa diretamente a Avaré envolve a Usina Rio Pardo.
A investigação aponta que o grupo investigado avançou sobre empresas do setor sucroalcooleiro. O Ministério Público cita o chamado Grupo Itajobi, relacionado às usinas Itajobi, em Marapoama, e Carolo, em Pontal.
A situação da Rio Pardo, localizada na região de Avaré, ainda apresenta informações divergentes.
Em julho, reportagem sobre a renegociação de dívidas das empresas descreveu a Rio Pardo como controlada pelo Grupo Itajobi.
Posteriormente, denúncia divulgada pelo Ministério Público falou em planos de aquisição da usina.
Funcionários da Itajobi também disseram aos investigadores que a Rio Pardo pertenceria ao mesmo grupo.
Esses relatos, isoladamente, não comprovam a composição societária da empresa. O Em Pauta Avaré não teve acesso a documentos capazes de confirmar quem controla atualmente a Usina Rio Pardo.
Empregos são outro ponto de atenção
A discussão também envolve trabalhadores da região.
Em julho, empresas ligadas ao Grupo Itajobi abriram processo de mediação no Centro Judiciário de Solução de Conflitos de São José do Rio Preto para renegociar aproximadamente R$ 3,7 bilhões em dívidas.
O advogado das empresas, William Matheus Martinez, afirmou na ocasião que um dos objetivos era preservar quase 3 mil empregos.
Esse total, porém, não corresponde apenas a Avaré.
O número reúne trabalhadores de unidades localizadas em Marapoama, Pontal, Morro Agudo, Cerqueira César e Avaré.
Não foi divulgada a quantidade de empregados por município nem quantos contratos permanecem ativos atualmente.
Por isso, não é possível afirmar quantos trabalhadores de Avaré ou Cerqueira César podem ser diretamente afetados.
Uma investigação nacional com reflexos locais
A Carbono Oculto foi deflagrada em 28 de agosto de 2025 e reuniu aproximadamente 1.400 agentes contra mais de 350 alvos em oito estados.
As investigações analisam diferentes etapas da cadeia de combustíveis, desde a importação de insumos até a comercialização em postos, além da utilização de instituições financeiras, fintechs e fundos para movimentação de recursos.
Na mesma data foram realizadas também as operações Quasar, conduzida pela Polícia Federal, e Tank, no Paraná.
Na Quasar, foram cumpridos 12 mandados de busca e a Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 1,2 bilhão em bens e valores.
Em setembro deste ano, uma nova frente, denominada Operação Crédito Oculto, cumpriu mandados relacionados a 13 pessoas e 19 empresas em sete estados.
Segundo os investigadores, estruturas financeiras teriam sido utilizadas para esconder os verdadeiros proprietários de uma usina de açúcar e álcool e financiar a compra de uma distribuidora de combustíveis.
O que ainda precisa ser esclarecido em Avaré
Apesar do avanço das investigações nacionais, duas perguntas continuam especialmente importantes para a região.
A primeira é quem controla atualmente a Usina Rio Pardo e qual é sua relação efetiva com as empresas investigadas.
A segunda é quantos trabalhadores de Avaré e Cerqueira César estão vinculados às unidades citadas e qual é a situação atual desses empregos.
Enquanto essas respostas não forem oficialmente esclarecidas, o impacto real da investigação sobre a economia local permanece indefinido.
Investigados, indiciados e denunciados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.
Serviço
Consumidores que suspeitarem de combustível adulterado podem denunciar à Agência Nacional do Petróleo pelo telefone 0800 970 0267 ou pelos canais disponíveis no site da ANP.
O aplicativo ANP com Vc - Postos permite consultar informações e histórico de fiscalização de estabelecimentos.
A orientação é guardar a nota fiscal do abastecimento. Eventuais pedidos de ressarcimento também podem ser encaminhados ao Procon.
Fontes
Polícia Federal Ministério Público de São Paulo Receita Federal Agência Nacional do Petróleo Ministério Público do Piauí Diário de São Paulo SBT News Metrópoles CNN Brasil Jornal In Foco



