Há apenas 12 dias, João Antônio Fuloni deixava o gabinete mais importante de Sarutaiá.
Neste domingo, 16 de agosto, a pequena cidade do Sudoeste Paulista recebeu uma notícia ainda mais impactante: **João da Tapera, como era conhecido por gerações de moradores, morreu aos 59 anos**.
Segundo as informações divulgadas até o momento, ele estava internado em Jaú. O velório deverá acontecer na Câmara Municipal de Sarutaiá, mas o horário ainda não havia sido confirmado até a publicação desta matéria.
Em menos de duas semanas, sua história sofreu duas mudanças irreversíveis.
Primeiro, a saída da Prefeitura.
Agora, a despedida definitiva.
Um nome que se confundia com a própria cidade
Em municípios pequenos, certas figuras deixam de ser reconhecidas apenas pelo nome registrado nos documentos. Tornam-se apelidos, lembranças e personagens presentes na história de muitas famílias.
Em Sarutaiá, João Antônio Fuloni era simplesmente João da Tapera.
Nascido no município em 22 de setembro de 1966, ele tinha como ocupação declarada o trabalho na construção civil. Foi nas ruas de sua cidade natal que construiu também uma trajetória política marcada por eleições, mandatos, disputas e controvérsias.
Casado e pai de dois filhos, João já havia comandado o município entre 2014 e 2016.
Em 2024, voltou às urnas pelo Republicanos. Alessandro José de Lova, conhecido como Gango, integrou a chapa como candidato a vice-prefeito.
Durante a convenção que oficializou sua candidatura, João protagonizou uma cena pessoal: chamou o pai, Ico Fuloni, para permanecer ao seu lado.
A campanha utilizava o lema “Unidos por uma Sarutaiá para todos”.
Eleito, João retornou ao comando da Prefeitura em janeiro de 2025.
Seria, porém, um mandato interrompido.
A decisão que mudou o rumo do mandato
O capítulo mais difícil de sua vida política começou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral apresentada pelo Ministério Público Eleitoral.
Em primeira instância, a Justiça Eleitoral determinou a cassação dos diplomas de João da Tapera e do vice-prefeito por captação ilícita de votos nas eleições de 2024.
Segundo o processo, João teria entregado R$ 400 a uma eleitora com o objetivo de obter seu voto. Áudios enviados pelo WhatsApp e depoimentos também integraram o conjunto de provas analisado.
Em maio de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo manteve, por unanimidade, a cassação da chapa. João também foi condenado ao pagamento de multa de R$ 45 mil.
O TRE-SP, entretanto, retirou a multa aplicada ao vice-prefeito por não identificar provas de sua participação na compra de votos. A Corte também afastou a sanção de inelegibilidade de oito anos anteriormente imposta aos envolvidos.
A decisão ainda admitia recurso ao Tribunal Superior Eleitoral. [Leia a decisão divulgada pelo TRE-SP](https://www.tre-sp.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Maio/prefeito-e-vice-prefeito-de-sarutaia-sao-cassados-por-captacao-ilicita-de-sufragio-nas-eleicoes-2024).
No fim de julho, a Câmara Municipal recebeu a determinação de afastamento e de declaração da vacância dos cargos.
Em 4 de agosto, Rodrigo Fuloni, então presidente da Câmara e irmão de João, assumiu interinamente a Prefeitura, enquanto o município aguardava a definição de uma nova eleição.
João da Tapera estava fora do Executivo.
Doze dias depois, Sarutaiá receberia a notícia de sua morte.
Quando a manchete deixa de ser apenas política
Nas últimas semanas, o nome de João da Tapera aparecia no noticiário regional por causa da cassação, da perda do mandato e da mudança no comando da Prefeitura.
Neste domingo, o mesmo nome voltou às manchetes por uma razão completamente diferente.
A decisão da Justiça Eleitoral faz parte de sua trajetória pública e não pode ser apagada. Mas a morte acrescenta uma dimensão humana a uma história que vinha sendo contada quase exclusivamente por processos, recursos e disputas políticas.
Atrás do cargo e das controvérsias estava um homem nascido em Sarutaiá, integrante de uma família conhecida e presente durante décadas na vida cotidiana do município.
Em uma cidade com menos de quatro mil habitantes, relações familiares, políticas e pessoais frequentemente se cruzam nas mesmas ruas. Por isso, a morte de alguém que ocupou a Prefeitura em diferentes momentos ultrapassa as fronteiras da política.
O último capítulo de João da Tapera
João Antônio Fuloni deixa definitivamente a cena pública de Sarutaiá.
Permanecem as avaliações sobre suas administrações, as controvérsias políticas e as decisões da Justiça. Permanecem também as lembranças daqueles que conviveram com ele durante quase seis décadas.
Há poucos dias, encerrava-se seu mandato.
Neste domingo, aos 59 anos, encerrou-se também sua história.
O Em Pauta Avaré manifesta solidariedade aos familiares, amigos e à população de Sarutaiá neste momento de despedida.
*Nota da redação: até a publicação desta matéria, o horário do velório na Câmara Municipal de Sarutaiá ainda não havia sido divulgado.*



