Nesta quarta-feira, 7 de outubro, é celebrado o Dia do Compositor Brasileiro. Em Avaré, a data encontra uma cidade que construiu parte importante de sua identidade cultural em torno da criação musical. São compositores de diferentes estilos e gerações, alguns conhecidos nacionalmente, outros ligados à música regional, à viola, ao rock, à MPB e aos festivais. Muitos deles encontraram na Feira Avareense da Música Popular, a Fampop, um espaço para mostrar suas obras.

Entre esses nomes está Carlos Domingos Alonso, poeta, instrumentista e compositor que passou a maior parte da vida em Avaré e deixou aproximadamente 200 músicas caipiras e inúmeras poesias. Sua trajetória foi reconhecida oficialmente pelo município em 2025. Um ano depois, porém, a homenagem prevista em lei ainda aguarda sua primeira realização.

Carlos Alonso deixou cerca de 200 composições

Natural de Itatinga, Carlos Domingos Alonso construiu grande parte de sua trajetória em Avaré. Ligado à cultura caipira desde a infância, aprendeu a tocar observando outros músicos e tornou-se violeiro, poeta e compositor. Ao longo da vida, produziu cerca de 200 músicas caipiras e inúmeras poesias. Também foi idealizador do Clube da Viola e da Sanfona, iniciativa que reunia músicos e admiradores da música regional no Centro Comunitário do Jardim Brasil. Em 2015, recebeu da Câmara Municipal de Avaré a Medalha de Mérito Legislativo "Maneco Dionísio". Carlos Alonso morreu em 3 de setembro de 2025, aos 94 anos.

Lei criou semana em homenagem ao compositor

Poucos dias após a morte do músico, o vereador Hidalgo André de Freitas apresentou o Projeto de Lei nº 230/2025. A proposta foi protocolada em 8 de setembro de 2025 e aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal em 6 de outubro daquele ano. No dia seguinte, 7 de outubro de 2025, exatamente um ano antes deste Dia do Compositor Brasileiro, foi sancionada a Lei Municipal nº 3.309/2025, instituindo a Semana da Música e da Cultura Caipira em homenagem a Carlos Domingos Alonso.

A legislação determina que a programação seja realizada anualmente durante o mês de setembro e integre o calendário oficial do município. A semana poderá reunir apresentações musicais, concertos, oficinas, palestras, exposições, rodas de conversa, atividades pedagógicas, festivais, feiras, ações relacionadas à cultura rural e iniciativas de preservação da memória musical. A intenção prevista na própria legislação é valorizar o legado de Carlos Alonso, preservar a música caipira e fortalecer a transmissão desse patrimônio cultural para novas gerações.

Um ano depois, homenagem ainda não saiu do papel

Apesar de a lei estar em vigor desde outubro de 2025, a primeira Semana da Música e da Cultura Caipira em homenagem a Carlos Alonso ainda não foi realizada.

A legislação estabelece setembro como período anual para a programação. Setembro de 2026, portanto, foi o primeiro mês em que o evento poderia ser promovido após a sanção.

Até esta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, não foi localizado nos canais oficiais consultados da Prefeitura e da Câmara Municipal anúncio ou registro público da realização da semana comemorativa neste ano. A lei continua vigente e não consta revogação expressa.

A situação chama atenção justamente no Dia do Compositor Brasileiro, quando a trajetória de Alonso volta ao centro da memória cultural de Avaré.

Carlos Alonso representa uma tradição maior

A homenagem a Carlos Alonso também permite olhar para uma história que vai além de um único compositor. Avaré possui uma produção musical autoral construída durante décadas, embora não exista atualmente um cadastro público único que reúna todos os compositores que nasceram, viveram ou produziram na cidade. Por isso, qualquer relação de nomes deve ser entendida como um levantamento documental, e não como uma lista definitiva. Os registros da Fampop, da Prefeitura, da Câmara e de eventos culturais ajudam, porém, a recuperar uma parte importante dessa história.

Juca Novaes e uma música que virou símbolo da cidade Entre os compositores diretamente ligados à identidade musical de Avaré está Juca Novaes, um dos fundadores da Fampop. É dele a composição "Avaré", interpretada tradicionalmente por Vanessa Reis e transformada em uma espécie de marca musical do festival.

Juca também idealizou o Encontro de Letristas da Fampop, criado para discutir justamente o processo de criação das canções. Em 2025, ele voltou à direção artística do festival, participando da retomada de iniciativas voltadas à valorização dos autores e da música inédita.

A Fampop ajudou a revelar gerações de compositores

Criada na década de 1980, a Feira Avareense da Música Popular transformou Avaré em ponto de encontro de compositores de diferentes regiões do Brasil. A essência do festival sempre esteve na música autoral. Além da disputa nacional, a Fampop mantém uma etapa específica para compositores ligados a Avaré, permitindo que novos nomes dividam o mesmo espaço de autores mais experientes.

A documentação das últimas edições ajuda a dimensionar essa produção. Entre os autores avareenses ou ligados à produção musical da cidade que aparecem em diferentes registros do festival estão Juca Novaes, Tonio Chaccon, Rogério Mendonça, Márcio Landi Cabral, Samuel Conrado, João Gabriel, Amauri Albuquerque, Fernando Lopes, Ronaldo Peres, Waldir Bronson, Wilson Teixeira, José Donizeti Costa Júnior, Géssica Dorth, Altino Toledo, Vitor Casagrande, Eddie Sabino, Gabriel Tavares, Flávio Mantovani e Dado Magnelli, entre outros.

O grupo Quatro Cantos ocupa ainda um lugar especial nessa trajetória. Em 2000, tornou-se o único representante de Avaré a vencer a fase nacional da Fampop, com "Verte-se", composição de Rogério Mendonça e Tonio Chaccon.

Novos compositores continuam chegando

A produção autoral permanece ativa. Na 40ª Fampop, por exemplo, a etapa avareense reuniu músicas de Amauri Albuquerque e Fernando Lopes, José Donizeti Costa Júnior, Ronaldo Peres, Waldir Bronson, Wilson Teixeira, João Gabriel, Mariana Hoyos e outros autores. "Saudade", composta e interpretada por João Gabriel, venceu a categoria Melhor Música Avareense daquela edição. Na 38ª edição, "Século Algum", de Márcio Landi Cabral e Samuel Conrado, conquistou os prêmios de Melhor Música Avareense e Aclamação Popular.

Na 37ª Fampop, "Jardim da Vida", de Géssica Dorth, venceu como Melhor Música Avareense, enquanto "Fogo na Represa", de Altino Toledo e Vitor Casagrande, ganhou a categoria instrumental. São registros que demonstram como a composição musical avareense atravessa estilos e gerações.

43ª Fampop começa na próxima semana

A homenagem aos compositores ocorre justamente às vésperas de uma nova edição do maior festival musical da cidade. A 43ª Fampop será realizada de 15 a 18 de outubro de 2026, na Associação Athletica Avareense, com entrada gratuita e programação a partir das 19 horas.

A abertura, em 15 de outubro, será dedicada à fase avareense. Treze músicas foram selecionadas. Entre os autores estão José Donizetti Juninho, Flávio Mantovani, Gustavo Papin, Ronaldo Peres, Amauri Albuquerque, Lucas da Silva Coelho, Fernandão, Gabriel Tavares, Vitinho Manuel Rodrigues, Terração, Priscila Bertoni, Josué Bertoni, Giovanni Zuki e Dandara.

Quatro canções da fase local seguirão para a disputa nacional. O compositor avareense Dado Magnelli também aparece diretamente na primeira semifinal nacional com a música instrumental "Violeta".

Mais de R$ 58 mil em premiação

A edição de 2026 distribuirá mais de R$ 58 mil em prêmios. O vencedor geral receberá R$ 18 mil e três dias de gravação no estúdio Gargolândia, em Alambari. A Melhor Música Avareense receberá R$ 4 mil.

A programação artística inclui Fernanda Freitas na abertura da fase avareense, Thiago K na sexta-feira, 16, Paulo Miklos no sábado, 17, e Almir Sater, patrono desta edição, na final de domingo, 18. A presença de Almir Sater estabelece ainda uma ligação simbólica com a própria tradição defendida por Carlos Alonso. Embora pertençam a trajetórias distintas, viola, música regional e composição autoral estão presentes na história de ambos.

Da viola às novas gerações

A história musical de Avaré não pode ser contada por um único nome. Carlos Alonso representa uma geração que manteve viva a música caipira. Juca Novaes ajudou a transformar a composição autoral em festival. Tonio Chaccon e Rogério Mendonça deixaram seu nome na história da Fampop. Outros autores continuam produzindo e novas gerações passam a ocupar o palco.

Há ainda compositores que provavelmente não aparecem nos registros oficiais digitalizados. Reconhecê-los é também preservar a memória cultural do município. Neste 7 de outubro, o Dia do Compositor Brasileiro permite que Avaré celebre quem escreve as músicas que contam histórias, preservam experiências e registram épocas.

Ao mesmo tempo, a data coloca novamente em evidência uma homenagem já transformada em lei, mas que ainda espera sua primeira edição: a Semana da Música e da Cultura Caipira em memória de Carlos Domingos Alonso.

Pergunta do Em Pauta

Qual compositor ou compositora de Avaré deveria fazer parte dessa memória? O Em Pauta Avaré mantém aberto o levantamento para incorporar autores de diferentes gerações e ampliar o registro da história musical do município.

Fonte: Câmara Municipal da Estância Turística de Avaré, Projeto de Lei nº 230/2025, de autoria do vereador Hidalgo André de Freitas, tramitação e Lei Municipal nº 3.309/2025. O sistema legislativo confirma que o projeto foi apresentado em 8 de setembro de 2025, aprovado e posteriormente transformado em lei.