Jurumirim libera 900 m³/s no Rio Paranapanema, quase dez vezes a vazão de meados de setembro
Quem pesca, navega ou frequenta margens e balneários do Paranapanema pode redobrar a atenção a áreas de forte correnteza e ao entorno de barragens e vertedouros. Convém também acompanhar os comunicados da CTG Brasil e da Defesa Civil de cada município
A Usina Hidrelétrica de Jurumirim liberou, na terça-feira (3), vazão média diária de 900 metros cúbicos por segundo (m³/s) no Rio Paranapanema, segundo a CTG Brasil, responsável pela operação da usina. O volume é quase dez vezes maior que o de meados de setembro, quando a defluência ficava em torno de 91 m³/s. Para esta quarta-feira (4) e para quinta-feira (5), a empresa programou 892 m³/s. Em Piraju, a usina a jusante registrou 953 m³/s no mesmo dia, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
O que 900 m³/s representam
Um metro cúbico por segundo equivale a mil litros por segundo. A vazão de 900 m³/s corresponde, portanto, a 900 mil litros de água a cada segundo, cerca de 54 milhões por minuto e 3,2 bilhões por hora. Se mantida por 24 horas, o volume chegaria a cerca de 78 bilhões de litros, segundo cálculo feito a partir do dado do boletim.
Como uma piscina olímpica comporta cerca de 2,5 milhões de litros, o rio carrega o equivalente a uma piscina a cada três segundos, aproximadamente, ou mais de 21 por minuto.
Por que a vazão é considerada alta
O número ganha dimensão ao ser comparado com a média histórica. Segundo a ANA, com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a vazão natural média de novembro em Jurumirim, no período de 1931 a 2024, é de 183 m³/s. A vazão liberada na terça equivale a quase cinco vezes esse valor. Mesmo o mês historicamente mais cheio, fevereiro, tem média de 357 m³/s, e os 900 m³/s superam em mais de duas vezes e meia essa marca.
A comparação com as últimas semanas mostra a mudança. Entre 10 e 13 de setembro, a defluência média diária de Jurumirim ficou entre 91 e 92 m³/s, e a de Piraju, entre 108 e 123 m³/s. Entre 1º e 4 de outubro, os valores subiram para a faixa de 129 a 475 m³/s em Jurumirim e de 135 a 478 m³/s em Piraju. De 31 de outubro a 3 de novembro, chegaram a 891 a 902 m³/s em Jurumirim e a 934 a 972 m³/s em Piraju, conforme os boletins da ANA e do ONS.
Desde 31 de outubro, a vazão de Jurumirim se mantém em torno de 900 m³/s, sem grandes oscilações. O patamar não é um pico isolado.
O que os dados mostram sobre o reservatório
O volume útil do reservatório de Jurumirim passou de 56,13% em 13 de setembro para 85,17% em 1º de outubro. Em 3 de novembro, estava em 82,99%.
Segundo a ANA, a vazão natural que chegou ao reservatório foi de 553 m³/s em setembro, ou 355% da média do mês, e de 228 m³/s em outubro, ou 122% da média. Em novembro, até agora, foi de 659 m³/s, ou 360% da média, em dado ainda parcial.
Entre 31 de outubro e 3 de novembro, a vazão liberada, de 891 a 902 m³/s, superou a que entrou no reservatório, de 640 a 696 m³/s. O boletim não informa o motivo da vazão adotada.
O gráfico do boletim da ANA também indica vertimento, que é a água liberada pelo vertedouro sem passar pelas turbinas. Ele aparece desde o início de outubro e, pelo gráfico, responde por boa parte da vazão dos últimos dias.
O que isso significa para a região
Na prática, uma vazão maior significa mais água passando pelo rio e, em geral, mais correnteza. A ANA classifica a faixa de operação de Jurumirim como “Normal” e indica “sem restrição” para a vazão defluente máxima média semanal. Os documentos consultados não trazem alerta de cheia.
A usina e o reservatório ficam na região de Avaré e Piraju, conforme o mapa do boletim da ANA. Quem pesca, navega ou frequenta margens e balneários do Paranapanema pode redobrar a atenção a áreas de forte correnteza e ao entorno de barragens e vertedouros. Convém também acompanhar os comunicados da CTG Brasil e da Defesa Civil de cada município.
A CTG Brasil emite novos boletins com as vazões programadas, e a ANA atualiza seus dados diariamente. Os valores da ANA estão sujeitos a revisões.
Fontes:
CTG Brasil — “Boletim Informativo de Vazões: descargas médias diárias nas usinas hidrelétricas do Rio Paranapanema (UHE Jurumirim)”, 04/11/2026
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com dados do ONS — “Acompanhamento do Sistema Hídrico do Rio Paranapanema”, boletins de 14/09/2026, 05/10/2026 e 04/11/2026