Um urubu encontrado com sinais de embriaguez após, segundo a Polícia Militar, ser forçado a ingerir aguardente em Avaré recebeu atendimento veterinário, precisou de glicose e soro intravenoso e conseguiu voltar a voar depois de se recuperar.
A ocorrência foi registrada na segunda-feira, 5 de outubro. Segundo informações policiais, uma denúncia levou a equipe até o homem que estava com a ave entre as pernas e um recipiente com aguardente ao lado.
O suspeito negou os maus-tratos, mas os policiais relataram que o urubu apresentava sinais compatíveis com a ingestão de álcool. O próprio homem também demonstrava sinais de embriaguez.
A médica veterinária Thais Vilas Boas, que atua no atendimento externo da Secretaria Municipal de Proteção e Bem-Estar Animal, foi acionada para avaliar a ave.
Urubu não conseguia se manter em posição normal
Durante o atendimento, Thais constatou que o animal apresentava alterações importantes de equilíbrio. O urubu não conseguia permanecer normalmente apoiado e caía, quadro compatível com a intoxicação constatada durante a avaliação.
Diante da condição da ave, a veterinária decidiu iniciar imediatamente o tratamento. O urubu recebeu glicose e soro pela via intravenosa.
“Ele não estava parando na posição normal, estava caindo. Não tinha como não fazer. Preferi fazer para poder soltar”, relatou Thais.
O acompanhamento continuou enquanto o organismo do animal eliminava o álcool. Segundo a veterinária, foi possível observar essa eliminação também pela urina.
A preocupação era garantir que a ave somente fosse devolvida à natureza depois de recuperar o equilíbrio e apresentar condições seguras para voar.
Depois do atendimento, a liberdade
Com a melhora do quadro, o urubu foi levado para um sítio da família da veterinária.
Foi ali que terminou uma história iniciada em situação de maus-tratos. Já recuperado, o animal foi solto e conseguiu levantar voo novamente.
A atuação integra o trabalho realizado pela Secretaria Municipal de Proteção e Bem-Estar Animal em ocorrências que envolvem animais em situação de risco.
O secretário da pasta, Gerson Fiuza, já destacou publicamente, ao falar sobre a estrutura de proteção animal no município, que esse é um trabalho que “diariamente acolhe, cuida e salva vidas”.
Homem havia deixado o sistema prisional dois dias antes
Segundo a Polícia Militar, o suspeito havia deixado o sistema prisional dois dias antes da ocorrência.
Após o atendimento inicial, o homem e o urubu foram encaminhados ao Plantão Policial. Foi registrado boletim de ocorrência por maus-tratos contra animal e o suspeito permaneceu à disposição da Justiça.
A Polícia Militar informou ainda que não houve resistência durante a abordagem.
Maus-tratos contra animais silvestres são crime
O urubu é um animal silvestre e também está protegido pela legislação ambiental brasileira.
O artigo 32 da Lei Federal nº 9.605/1998 considera crime praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.
No caso registrado em Avaré, a denúncia permitiu que a situação fosse interrompida e que a ave recebesse atendimento antes que o quadro de intoxicação tivesse consequências mais graves.
Depois da glicose, do soro, do acompanhamento veterinário e do tempo necessário para que seu organismo eliminasse o álcool, o urubu voltou para onde deveria estar: em liberdade.
Fontes: médica veterinária Thais Vilas Boas, Secretaria Municipal de Proteção e Bem-Estar Animal; secretário municipal de Proteção e Bem-Estar Animal, Gerson Fiuza, em declaração pública anterior sobre a atuação da pasta; Polícia Militar; Lei Federal nº 9.605/1998.



