Era o início da década de 1860 quando uma história de fé começou a se misturar ao nascimento de uma cidade. Segundo os registros históricos do município, depois que sua esposa sobreviveu a um parto difícil, o major Vitoriano de Souza Rocha cumpriu uma promessa feita a Nossa Senhora das Dores.

Como forma de agradecimento, mandou erguer uma pequena capela em sua homenagem. Ao redor daquele espaço religioso começaram a surgir casas, caminhos e relações que ajudariam a formar o povoado conhecido inicialmente como Rio Novo.

Ali estava um dos primeiros capítulos da história de Avaré.

Uma cidade, várias datas importantes

A história de Avaré não cabe em uma única data. O município comemora seu aniversário em 15 de setembro, dia dedicado a Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade. Mas outros momentos também ajudam a compreender sua formação.

A tradição histórica e religiosa relaciona 15 de setembro de 1861 à fundação do povoado. Em 15 de maio de 1862 ocorreu a doação das terras destinadas ao Patrimônio de Nossa Senhora das Dores do Rio Novo. Já em 7 de julho de 1875 veio a emancipação político-administrativa, quando Rio Novo tornou-se município independente.

Anos depois, em 29 de maio de 1891, Rio Novo foi elevado à categoria de cidade e passou oficialmente a se chamar Avaré. Mais do que uma sequência de datas, são diferentes capítulos de uma mesma história.

Nesta terça-feira, 15 de setembro, Avaré comemora 165 anos com programação cívica e atividades especiais que integram também a 56ª EMAPA.

Uma cidade formada por muitas histórias

Antes da formação do povoado, o território já era ocupado por populações indígenas. Registros históricos citam, entre outros grupos, Caiuás e Botocudos. A expansão da ocupação não aconteceu sem conflitos e episódios de violência contra essas populações.

Com o passar das décadas, Avaré também recebeu diferentes comunidades de imigrantes e foi construída pelo trabalho de famílias de diversas origens.

Portugueses, espanhóis, italianos, árabes, japoneses, suíços, lituanos e outras comunidades deixaram marcas na cultura local. A população negra e seus descendentes também fazem parte dessa história, em um processo de formação social que atravessou gerações.

A Avaré de hoje nasceu desse encontro, muitas vezes difícil, entre povos, culturas e diferentes períodos históricos.

Do algodão ao cavalo

A economia também foi transformando a identidade da cidade. Nas décadas de 1930 e 1940, Avaré ganhou destaque pela produção de algodão e ficou conhecida como Capital do Ouro Branco. O café também ocupou espaço importante na economia regional até a grande geada de 1975, que atingiu plantações e mudou o rumo de muitas propriedades.

Décadas depois, a cidade consolidaria outra identidade pela qual é conhecida nacionalmente: a ligação com a criação de cavalos. Avaré passou a ser chamada de Capital Nacional do Cavalo e tornou-se referência no setor, especialmente por meio da EMAPA, que em 2026 chega à sua 56ª edição.

Cada período econômico deixou marcas na cidade e ajudou a explicar a Avaré que existe hoje.

Até o nome guarda histórias

A própria origem da palavra Avaré ainda desperta curiosidade. Há diferentes interpretações para sua origem indígena.

Uma das versões relaciona o nome a Abaré-i, expressão associada a homem solitário, sentinela, padre ou monge. Outra interpretação aponta para abiré, traduzido como solitário e relacionado a um monte de aproximadamente 625 metros de altitude existente na região.

Não existe consenso absoluto sobre o significado.

Talvez isso combine com uma cidade cuja própria história foi construída por diferentes versões, tempos e personagens. O homem que ajudou a mudar o caminho da cidade

Entre os nomes importantes dessa trajetória está o alferes Manoel Marcelino de Souza Franco, conhecido como Maneco Dionísio. Ele teve papel relevante na mobilização que levou Rio Novo à condição de vila e também atuou para que o traçado da Estrada de

Ferro Sorocabana fosse alterado e chegasse ao município. A ferrovia seria decisiva para o desenvolvimento de Avaré. Com os trilhos vieram pessoas, mercadorias, novas atividades econômicas e uma ligação mais rápida com outras regiões do estado.

Sem essa mudança de rota, a história da cidade provavelmente teria seguido outro caminho.

A praça onde tudo começou

Nos antigos cartões-postais de Avaré, a região central aparece como um retrato de outro tempo. O Relógio de Sol, as árvores, os jardins e o movimento tranquilo da praça ajudam a contar visualmente a transformação da cidade.

Ao fundo está o atual Santuário de Nossa Senhora das Dores, erguido no local ligado à pequena capela em torno da qual se formou o núcleo inicial do povoado.

A paisagem mudou. As ruas cresceram. Os bairros se multiplicaram. A população aumentou.

Mas aquele ponto continua guardando uma das histórias mais simbólicas de Avaré. Uma promessa. Uma capela. Um povoado que cresceu ao redor dela.

Cento e sessenta e cinco anos depois, Avaré ainda encontra naquela região parte de sua memória e de sua identidade. E talvez seja exatamente por isso que conhecer essa história seja também uma maneira de compreender a cidade que existe hoje. Fontes: Prefeitura de Avaré; Câmara Municipal de Avaré; legislação municipal; Plano Diretor de Turismo de Avaré; registros históricos municipais.

Foto: FAcebook Avaré Antigamente