1998: o diagnóstico que mudou sua vida
Em setembro de 1998, Patrícia recebeu o diagnóstico de miastenia gravis.
A doença autoimune rara provoca fraqueza muscular e fadiga, podendo comprometer movimentos dos braços e pernas, além da visão, fala, mastigação, deglutição e, em casos mais graves, a respiração.
Naquele período, a avareense enfrentou limitações que afetaram profundamente sua rotina e trouxeram incertezas sobre o futuro.
Em outubro do mesmo ano, passou por uma timectomia, cirurgia para retirada do timo, glândula localizada no tórax que pode estar relacionada ao desenvolvimento da doença.
Atualmente, Patrícia relata que a miastenia gravis está em remissão, condição em que os sintomas deixam de se manifestar ou permanecem significativamente controlados. A remissão não significa necessariamente cura definitiva, sendo importante manter o acompanhamento médico.
Vinte e sete anos depois daquela cirurgia, Patrícia enfrentaria um desafio que simbolizaria sua recuperação e perseverança: correr 75 quilômetros.
2013 e 2014: a dor da perda e o início de uma nova caminhada
Em 2013, Patrícia enfrentou uma das perdas mais difíceis de sua vida: a morte da mãe.
O luto trouxe um período de sofrimento emocional, acompanhado de problemas de saúde. Ela também precisou aprender a conviver com o diabetes tipo 2, doença crônica que exige acompanhamento e cuidados permanentes.
Foi nesse contexto que começou a praticar corrida ao lado do marido Diego.
Inicialmente, o esporte surgiu como uma alternativa para cuidar da saúde e recuperar a disposição. Aos poucos, transformou-se em uma paixão.
Em 2014, Patrícia participou de sua primeira maratona, segundo seu relato, iniciando uma trajetória que seria marcada por provas de longa distância e desafios cada vez maiores.
A corrida se tornou uma maneira de recuperar a confiança, superar momentos difíceis e descobrir uma força que talvez ela própria desconhecesse.
Diego, o marido e maior apoiador de Patrícia
Em cada conquista de Patrícia, existe uma presença constante: Diego.
Marido, companheiro de vida e parceiro de treinos, ele é apontado pela atleta como seu maior apoiador.
Foi ao lado dele que Patrícia começou a correr, ainda durante o período em que enfrentava as consequências emocionais da perda da mãe e buscava melhorar sua saúde.
Também apaixonado pelo esporte, Diego participou de uma ultramaratona de 75 quilômetros antes da esposa. Sua experiência contribuiu para despertar nela a vontade de enfrentar o mesmo desafio.
Mas o incentivo foi muito além das palavras.
Durante a preparação para a ultramaratona de 2025, Diego acompanhava os treinos mais exigentes, inclusive aqueles que começavam às 4h30 da madrugada.
Nos percursos de terra, em meio à escuridão, ele iluminava o caminho para que Patrícia pudesse completar os quilômetros planejados. Depois, seguia para sua rotina de trabalho.
O gesto traduz uma parceria construída no cotidiano, com dedicação, sacrifícios e confiança.
Diego esteve presente nos momentos de incerteza, acompanhou a evolução da esposa e continua incentivando seus objetivos.
Embora Patrícia tenha percorrido individualmente os 75 quilômetros da ultramaratona, a conquista também representa o esforço compartilhado pelo casal.
Por trás da atleta que cruza linhas de chegada, existe uma mulher que encontrou no amor e no companheirismo do marido a segurança necessária para continuar acreditando em seus sonhos.
18 de outubro de 2025: os 75 quilômetros que marcaram sua história
Em 18 de outubro de 2025, Patrícia participou da Ultramaratona BM, com largada em Bertioga e chegada na região de Bora Bora, em São Sebastião, no litoral paulista.
A prova de 75 quilômetros, disputada na modalidade solo, exigiu meses de preparação, resistência física e equilíbrio emocional.
O desafio ganhou um significado ainda mais especial por acontecer em outubro, mesmo mês em que, 27 anos antes, Patrícia havia passado pela cirurgia para tratamento da miastenia gravis.
A coincidência das datas tornou a competição uma experiência de profunda gratidão.
Antes da prova, Patrícia realizou uma peregrinação ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, agradecendo pela saúde e pela oportunidade de continuar realizando sonhos.
A fé também esteve presente no momento da largada, quando pediu a proteção de Nossa Senhora e de seus anjos para enfrentar o percurso.
Durante a preparação, contou com uma rede de apoio formada pelo marido Diego, pela irmã Eliana, por familiares, amigos e profissionais que acompanharam seus treinamentos.
Entre eles, o técnico Guto Surbo, Mayara Silvestre, Luciane Mirandola e a nutricionista Carol Bernardino, de Botucatu.
Ao completar os 75 quilômetros, Patrícia concretizou um objetivo que representava muito mais do que uma conquista esportiva.
A mulher que havia enfrentado uma doença capaz de comprometer seus movimentos conseguiu superar uma das distâncias mais exigentes das corridas de resistência.
19 de setembro de 2026: terceiro lugar em Brotas
Quase um ano depois da ultramaratona, Patrícia voltou a comemorar um resultado importante.
No dia 19 de setembro de 2026, participou de uma maratona de 42 quilômetros em Brotas, no interior paulista.
Segundo as informações compartilhadas sobre sua trajetória, conquistou o terceiro lugar na competição.
O resultado reforçou sua dedicação ao esporte e demonstrou que a experiência de 2025 não representou o encerramento de um sonho, mas o início de novos desafios.
18 de outubro de 2026: um ano da conquista de 75 quilômetros
No domingo, 18 de outubro de 2026, Patrícia comemorou exatamente um ano da ultramaratona realizada em Bertioga.
A data trouxe lembranças da preparação, dos quilômetros percorridos, das dificuldades enfrentadas e da emoção de cruzar a linha de chegada.
Mais do que recordar uma competição, o aniversário representou a oportunidade de reconhecer sua própria transformação.
A atleta que um dia precisou enfrentar limitações físicas passou a celebrar a liberdade de correr, a saúde e as experiências construídas ao longo de quase três décadas.
22 de novembro de 2026: o próximo desafio será em Sorocaba
Aos 45 anos, Patrícia continua estabelecendo novos objetivos.
Sua próxima participação está prevista para 22 de novembro de 2026, em Sorocaba, onde pretende disputar uma maratona de 42 quilômetros.
A preparação continua exigindo disciplina, treinamento e atenção à saúde, especialmente diante de seu histórico médico.
Mais uma vez, o marido Diego segue como seu principal incentivador, acompanhando a preparação e compartilhando a expectativa de mais uma conquista.
Para Patrícia, cada prova representa uma nova oportunidade de celebrar a vida.
Uma história de fé, amor e superação
Entre o diagnóstico de miastenia gravis, em 1998, e a ultramaratona de 75 quilômetros, em 2025, passaram-se 27 anos.
Nesse período, Patrícia enfrentou uma cirurgia, o luto pela perda da mãe, novos problemas de saúde e os desafios de reconstruir sua rotina.
Encontrou no esporte uma maneira de transformar sofrimento em motivação e descobriu que sua história ainda reservava muitas conquistas.
Mas sua trajetória também é marcada pelo amor.
Diego, seu marido e maior apoiador, esteve presente desde o começo dessa caminhada. Foi companheiro nos momentos difíceis, incentivador nos primeiros treinos e presença constante durante a preparação para os maiores desafios.
Hoje, Patrícia inspira pela determinação, pela fé e pela coragem de construir novos sonhos, mesmo depois de experiências tão difíceis.
Sua história não significa que todas as pessoas com miastenia gravis ou diabetes possam enfrentar provas de resistência. Cada caso exige avaliação médica individualizada. Mas demonstra o significado que o esporte adquiriu em sua própria vida.
No fim, a maior conquista não está apenas no terceiro lugar em Brotas, nos 75 quilômetros completados em Bertioga ou na próxima maratona em Sorocaba.
Está na mulher que, depois de enfrentar tantas adversidades, continua encontrando motivos para sorrir, agradecer e seguir em frente.
Porque algumas histórias não são medidas em quilômetros.
São medidas pela coragem de viver.
E Patrícia, com Diego ao seu lado, ainda tem muitos caminhos para percorrer.
Fontes: Relato de Diego, publicação "Corrida pela Vida" e informações complementares encaminhadas ao Em Pauta Avaré. Ministério da Saúde, informações sobre miastenia gravis.