Em Avaré, data chama atenção para a importância dos cães na vida das pessoas, os cuidados básicos para garantir qualidade de vida e os canais públicos de atendimento e denúncia de maus-tratos

Ele pode estar esperando no portão quando alguém chega do trabalho, acompanhando uma criança pela casa ou simplesmente deitado aos pés de um idoso durante boa parte do dia. Para muitas famílias, o cachorro já deixou de ser apenas um animal doméstico há muito tempo. Ele participa da rotina, percebe mudanças de comportamento, estimula caminhadas, oferece companhia e, muitas vezes, transforma uma casa em um ambiente mais afetivo.

Celebrado em 26 de agosto, o Dia Mundial do Cachorro é uma oportunidade para lembrar justamente dessa relação. A convivência com cães está associada a benefícios como maior estímulo à atividade física, socialização e companhia. Estudos também relacionam a interação entre pessoas e cães à redução da solidão e do estresse, embora esses benefícios não substituam cuidados médicos ou psicológicos quando necessários.

Mas todo o afeto recebido exige responsabilidade em troca. Ter um cachorro significa garantir alimentação adequada, água limpa, abrigo, vacinação, acompanhamento veterinário, atividades físicas, segurança e atenção às mudanças de comportamento.

Pequenos sinais podem indicar que algo não está bem

Os cães não conseguem explicar o que sentem. Por isso, alterações aparentemente simples podem ser importantes. O tutor deve observar principalmente perda repentina de apetite, falta de disposição, isolamento, vômitos repetidos, diarreia persistente, dificuldade para respirar, tosse intensa, tremores, dificuldade para caminhar, feridas, coceira excessiva, secreções nos olhos ou nariz, mudanças na urina, aumento excessivo da sede ou alterações bruscas de comportamento. Dor também pode aparecer de maneira diferente. Um cachorro normalmente dócil pode passar a evitar contato, reclamar ao ser tocado ou procurar lugares isolados.

Sempre que houver mudança importante ou persistente, a orientação é procurar atendimento veterinário. Consultas regulares também ajudam a identificar problemas antes que eles se agravem.

Vacinação não deve ser lembrada apenas quando o animal adoece

Manter as vacinas atualizadas é uma das principais formas de prevenção. O protocolo deve ser definido por um médico veterinário conforme idade, histórico, condições de saúde e riscos aos quais o animal está exposto.

Além da vacinação, os cuidados preventivos incluem vermifugação, controle de pulgas e carrapatos e acompanhamento periódico da saúde. Esses cuidados protegem o próprio cachorro e também ajudam a reduzir riscos de doenças que podem atingir outros animais e seres humanos.

A carteira de vacinação deve ser guardada e levada às consultas para que o profissional possa acompanhar corretamente o histórico do animal.

Alimentação precisa respeitar idade, peso e condição de saúde

Oferecer comida em excesso não significa oferecer mais carinho.

A quantidade e o tipo de alimentação devem considerar porte, peso, idade, nível de atividade e condições clínicas do cachorro.

Água fresca deve permanecer disponível durante todo o dia.

Sempre que possível, a escolha da alimentação deve ser orientada por veterinário, principalmente para filhotes, animais idosos, obesos ou cães com doenças crônicas.

Também é importante evitar oferecer restos de comida sem orientação. Alguns alimentos consumidos normalmente por seres humanos podem ser inadequados ou até tóxicos para cães.

Frio também exige atenção

Embora muitos cães tenham pelos, isso não significa que todos estejam naturalmente protegidos contra baixas temperaturas. Filhotes, idosos, animais de pelo curto, cães muito pequenos e aqueles que apresentam alguma condição de saúde costumam ser mais sensíveis.

O ideal é oferecer abrigo seco, protegido de vento e chuva, além de uma cama ou superfície que evite contato direto com o chão gelado. Roupas podem ser utilizadas em alguns animais, desde que sejam confortáveis, não estejam apertadas e não permaneçam molhadas. Tremores persistentes, fraqueza, lentidão excessiva e alterações na respiração são sinais que merecem atenção. Deixar um animal constantemente exposto ao frio, à chuva ou sem abrigo adequado pode, inclusive, caracterizar situação de maus-tratos.

Avaré oferece atendimento veterinário municipal

Quem depende do serviço público pode procurar a Clínica Veterinária Municipal de Avaré. A unidade funciona na Rua Seme Jubran, nº 980, no Jardim Paraíso. O telefone informado para contato é (14) 3731-0631.

A clínica oferece atendimento clínico de segunda a sexta-feira. Em 2025, foram registradas 3.620 consultas e 2.390 castrações, segundo dados divulgados sobre o serviço. A unidade passou a integrar, em 2026, a estrutura da Secretaria Municipal de Proteção e Bem Estar Animal e as castrações estão temporariamente suspensas devido às reformas do prédio onde funciona a Clinica. Demais atendimentos veterinários seguem sendo realizados.

Quando o carinho deixa de existir, a lei entra em cena

Abandonar, ferir, mutilar, manter um animal sem água ou alimentação adequada, privá-lo de abrigo, deixar de oferecer atendimento quando ele está doente ou submetê-lo a situações de violência são exemplos de práticas que podem configurar maus-tratos.

A Lei Federal nº 9.605 estabelece que praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais é crime. No caso específico de cães e gatos, a Lei nº 14.064 ampliou a punição. A pena prevista é de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda do animal. Se houver morte, a legislação prevê aumento da pena.

Onde denunciar em Avaré

A Operação Escudo Animal, realizada em Avaré pela Polícia Civil com apoio da Secretaria Municipal de Proteção e Bem Estar Animal, atua na apuração de denúncias de maus-tratos e na fiscalização de situações que possam colocar cães e outros animais em risco. A participação da população é fundamental, principalmente com informações sobre endereço, condições do animal, fotos ou vídeos quando possível. Em casos de flagrante ou emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190; denúncias também podem ser encaminhadas à Polícia Civil pelo 197 ou à DIG de Avaré pelo telefone (14) 3732-0044.

Em documento recente do Conselho Municipal do Bem Estar dos Animais de Avaré também consta a orientação para denúncias pelo telefone 197 da Polícia Civil. O próprio Conselho informa contato pelo telefone (14) 3711-2368. citeturn192336search37

A Prefeitura já divulgou também os números da área ambiental para denúncias relacionadas a maus-tratos: (14) 3732-1225 e (14) 99825-6716. Como esses contatos foram divulgados originalmente em publicação anterior do município, é recomendável confirmar a disponibilidade atual antes da publicação definitiva da matéria. citeturn192336search0

Fotos, vídeos, endereço, datas e outras evidências podem ajudar na apuração. A denúncia deve trazer informações verdadeiras.

Cuidar deles também é cuidar das famílias

O Dia Mundial do Cachorro pode render fotografias bonitas e homenagens nas redes sociais, mas seu significado vai além.

Ele lembra que milhares de animais dependem diariamente de alguém para comer, beber água, receber atendimento, permanecer protegidos do frio e viver sem violência.

Também lembra o que eles devolvem.

Companhia, rotina, movimento, afeto, segurança e uma forma de vínculo que atravessa idades e diferentes realidades familiares.

Em uma cidade como Avaré, políticas de castração, atendimento veterinário, vacinação, fiscalização e educação para a guarda responsável ajudam a transformar esse vínculo em saúde pública, bem estar animal e responsabilidade coletiva.

No fim, a relação é simples: eles oferecem presença quase todos os dias.

Cabe aos humanos garantir que essa presença venha acompanhada de cuidado, respeito e proteção.