Às vezes, a violência não começa com um tapa.

Ela pode começar quando alguém passa a decidir com quem uma mulher pode conversar, controla seu dinheiro, exige senhas do celular, acompanha seus passos, ameaça seus filhos, humilha, persegue ou transforma o relacionamento em um espaço permanente de medo.

Situações assim ajudam a mostrar por que falar sobre igualdade feminina vai muito além de reconhecer conquistas históricas.

Celebrado em 26 de agosto, o Dia Internacional da Igualdade Feminina representa um marco das lutas das mulheres pelo direito ao voto, pelos direitos civis, pela representatividade política e pela igualdade de oportunidades. A data começou a ser lembrada nos Estados Unidos em referência ao sufrágio feminino e se tornou um momento de reflexão sobre desigualdades que ainda permanecem. citeturn524743search0turn524743search2

No Brasil, uma das principais conquistas políticas ocorreu em 1932. O primeiro Código Eleitoral brasileiro reconheceu como eleitor o cidadão maior de 21 anos sem distinção de sexo, abrindo oficialmente às mulheres o direito de votar e serem votadas no país. citeturn524743search7turn524743search18

Mais de nove décadas depois, a luta pela igualdade continua passando por outro direito fundamental: viver sem violência.

Quando a violência não deixa marcas visíveis

A Lei Maria da Penha reconhece atualmente seis formas de violência doméstica e familiar contra a mulher.

São elas: física, psicológica, sexual, patrimonial, moral e vicária.

A sexta modalidade foi incorporada à legislação em abril de 2026 pela Lei nº 15.384. citeturn939347search2turn621805search0

Conhecer essas formas de violência é importante porque muitas delas podem acontecer durante meses ou anos antes que a vítima reconheça que está vivendo uma situação abusiva.

Violência física

É qualquer conduta que atinja a integridade ou a saúde corporal da mulher.

Pode envolver tapas, socos, empurrões, chutes, apertões, sufocamento, queimaduras, ferimentos com objetos e outras formas de agressão.

Nem toda violência física deixa uma marca imediatamente visível. citeturn939347search0

Violência psicológica

Pode aparecer por meio de ameaças, humilhação, chantagem, manipulação, perseguição, vigilância constante, isolamento de familiares e amigos, insultos e tentativas de controlar as decisões da mulher.

Também pode ocorrer quando o agressor tenta impedir que ela trabalhe, estude, saia de casa ou mantenha relações sociais.

É uma forma de violência que frequentemente destrói a autoestima e a autonomia da vítima antes mesmo de ocorrer uma agressão física. citeturn939347search0turn939347search2

Violência sexual

Não existe obrigação sexual dentro de um relacionamento.

A Lei Maria da Penha considera violência sexual constranger uma mulher a presenciar, manter ou participar de uma relação sexual sem consentimento, mediante intimidação, ameaça, coação ou força.

A legislação também protege os direitos sexuais e reprodutivos da mulher, incluindo situações em que ela é impedida de utilizar contraceptivos ou submetida a outras formas de coerção. citeturn939347search0turn939347search2

Violência patrimonial

Acontece quando alguém retém, destrói, subtrai ou controla documentos, objetos, bens, instrumentos de trabalho, valores ou recursos econômicos da mulher.

Controlar todo o dinheiro da vítima, impedir que tenha acesso aos próprios recursos ou destruir documentos também pode fazer parte desse tipo de violência. citeturn939347search0

Violência moral

Calúnia, difamação e injúria podem configurar violência moral.

Acusações falsas, exposição da intimidade, xingamentos e ataques deliberados à honra e à reputação de uma mulher não devem ser tratados como comportamentos normais de um relacionamento. citeturn939347search0turn939347search2

Violência vicária

Desde abril de 2026, a Lei Maria da Penha também reconhece expressamente a violência vicária.

Ela ocorre quando o agressor pratica violência contra descendentes, ascendentes, dependentes, enteados, parentes, pessoas sob responsabilidade direta da mulher ou integrantes de sua rede de apoio com o objetivo de atingi la. citeturn621805search0

É uma violência especialmente cruel porque utiliza pessoas importantes para a vítima como instrumento de sofrimento, punição ou controle.

Dados de Avaré mostram dimensão do problema

O debate ganha dimensão ainda mais próxima quando os números chegam à realidade de Avaré.

Levantamento publicado pelo Jornal In Foco em 19 de agosto de 2026, elaborado a partir de informações atribuídas à Delegacia de Defesa da Mulher de Avaré e ao painel estatístico da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, aponta números preocupantes. citeturn400877search0

No primeiro semestre de 2026, Avaré registrou:

17 ocorrências de estupro de vulnerável

7 ocorrências de estupro

24 registros dessas duas modalidades de crimes sexuais no município

Quando considerada a área da Delegacia Seccional de Polícia de Avaré, que abrange 17 municípios, o levantamento apontou:

73 registros de estupro de vulnerável

20 registros de estupro

93 registros de crimes sexuais no período analisado. citeturn400877search0

O levantamento também informa que a DDM de Avaré contabilizou 192 solicitações de medidas protetivas de urgência e 69 registros de descumprimento dessas medidas.

Foram apontados ainda 140 registros de lesão corporal dolosa, 140 de ameaça e 28 ocorrências relacionadas a calúnia, injúria e difamação no recorte apresentado pela reportagem. citeturn400877search0

Os dados precisam ser compreendidos como registros policiais e não necessariamente correspondem à totalidade da violência existente.

Muitos casos sequer chegam às autoridades.

Por isso, ampliar o conhecimento sobre os canais de proteção é uma das formas de enfrentar o silêncio que ainda acompanha parte dessas ocorrências.

Medida protetiva pode interromper uma situação de risco

A medida protetiva de urgência é um dos instrumentos previstos pela Lei Maria da Penha para ampliar a segurança da mulher.

Ela pode estabelecer medidas como afastamento do agressor, proibição de aproximação e de contato e outras providências determinadas de acordo com o caso.

Segundo orientação atual do Ministério das Mulheres, as medidas podem ser concedidas diante de situação de risco e não dependem necessariamente da existência prévia de inquérito policial ou ação judicial. citeturn939347search7

O descumprimento de uma medida protetiva também deve ser comunicado imediatamente às autoridades.

SP Mulher Segura coloca serviços de proteção no celular

Em São Paulo, a tecnologia também passou a integrar a rede de enfrentamento à violência doméstica.

O aplicativo SP Mulher Segura pode ser baixado gratuitamente em celulares Android e iPhone.

Por meio da ferramenta, a mulher pode registrar boletim de ocorrência relacionado à violência doméstica, solicitar medida protetiva de urgência, localizar serviços da rede de atendimento e cadastrar uma pessoa de confiança.

O acesso é feito utilizando uma conta gov.br. citeturn621805search6turn621805search10

Para mulheres que já possuem medida protetiva vigente, o aplicativo disponibiliza o Botão do Pânico.

Em uma situação de risco, o acionamento pode chegar ao Centro de Operações da Polícia Militar com informações de localização para agilizar o envio de atendimento policial. citeturn621805search5turn621805search6

O aplicativo funciona como mais uma alternativa de acesso à proteção, mas não substitui o acionamento do 190 quando existe uma emergência ou agressão acontecendo naquele momento.

DDM de Avaré é uma das principais portas de proteção

Em Avaré, mulheres que estejam sofrendo violência podem procurar diretamente a Delegacia de Defesa da Mulher.

A unidade especializada atende na:

Delegacia de Defesa da Mulher de Avaré

Avenida Salim Antônio Curiati, nº 1.630

Jardim Brasil

Avaré, SP

Telefone: (14) 3732 0066

As informações públicas consultadas indicam atendimento presencial de segunda a sexta feira, das 9h às 17h. citeturn531542view0

A mulher também pode procurar qualquer delegacia da Polícia Civil. A Secretaria de Políticas para a Mulher do Estado de São Paulo orienta que, além das DDMs especializadas, outras unidades policiais também podem receber vítimas de violência. citeturn621805search7

Se houver risco imediato, ameaça naquele momento ou agressão em andamento, o caminho é acionar o 190.

Ligue 180 também funciona 24 horas

Outro canal fundamental é a Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180.

O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia.

Além do telefone, existe atendimento pelo WhatsApp no número:

(61) 9610 0180

O Ligue 180 fornece orientação, recebe denúncias e encaminha informações para os órgãos responsáveis. citeturn939347search32

A denúncia também pode ser feita por familiares, vizinhos, amigos ou qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma situação de violência.

Uma data que precisa produzir reflexão

O Dia Internacional da Igualdade Feminina lembra conquistas que mudaram a história.

Mas igualdade não existe plenamente quando uma mulher precisa alterar sua rotina por medo.

Não existe quando alguém controla seu dinheiro.

Quando o celular é fiscalizado.

Quando a ameaça se torna rotina.

Quando filhos e familiares são utilizados como instrumento de sofrimento.

Quando uma mulher acredita que precisa esperar uma agressão mais grave antes de procurar ajuda.

A informação pode ser decisiva justamente antes desse momento.

Em Avaré, existe uma Delegacia de Defesa da Mulher. No Estado de São Paulo, existe o aplicativo SP Mulher Segura. Em todo o país, o 180 oferece orientação. E, diante de uma emergência, o 190 deve ser acionado.

O 26 de agosto é uma data de reconhecimento das conquistas femininas.

Mas também é um lembrete de que igualdade significa autonomia, dignidade, oportunidade e, acima de tudo, o direito de viver sem violência.

Canais para guardar e compartilhar

DDM de Avaré Avenida Salim Antônio Curiati, nº 1.630, Jardim Brasil Telefone: (14) 3732 0066 citeturn531542view0

Polícia Militar 190 para emergências

Central de Atendimento à Mulher 180

WhatsApp do Ligue 180 (61) 9610 0180 citeturn939347search32

Aplicativo SP Mulher Segura, gratuito para Android e iOS. citeturn621805search6