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Marido da prefeita de Bauru é preso em nova fase de investigação sobre licitação do lixo

Secretário de Governo, Renato Purini foi detido nesta sexta-feira; apuração envolve concessão estimada em R$ 5,2 bilhões por 30 anos, cujo edital foi anulado

Redação Em Pauta•
Marido da prefeita de Bauru é preso em nova fase de investigação sobre licitação do lixo

O secretário municipal de Governo de Bauru, Renato Celso Bonomo Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi preso nesta sexta-feira, 16 de outubro, durante um desdobramento da Operação Cavalo de Troia. Conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, a investigação apura suspeitas de direcionamento da licitação para a gestão integrada dos resíduos sólidos do município.

A ação teve apoio da Polícia Militar e incluiu buscas na residência onde o secretário vive com a prefeita e em dependências da Prefeitura. Purini foi encaminhado à Central de Polícia Judiciária de Bauru.

A prisão está relacionada à investigação da concessão do lixo, mas os fundamentos específicos da medida e as condutas individualmente atribuídas ao secretário ainda não puderam ser confirmados na decisão judicial. Os veículos consultados divergem ao classificar a prisão como temporária ou preventiva.

O que previa a licitação

O procedimento investigado é a Concorrência Pública Presencial nº 17/2026, vinculada ao Edital nº 344/2026 e ao Processo Administrativo nº 164.248/2025.

O objeto era conceder à iniciativa privada o sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos de Bauru, incluindo soluções tecnológicas para o tratamento do lixo. A previsão divulgada era de uma concessão por 30 anos, estimada em aproximadamente R$ 5,2 bilhões.

O projeto abrangia coleta, transporte, tratamento e destinação dos resíduos. A apresentação municipal também relacionava separação de recicláveis, gerenciamento de Ecopontos, varrição, limpeza de bueiros e capinação.

O valor bilionário corresponde à estimativa global da concessão ao longo de três décadas. Não representa um montante comprovadamente desviado nem um pagamento já realizado à empresa investigada.

Como funcionaria o suposto direcionamento

A suspeita investigada é de que interesses privados teriam influenciado a preparação da concessão antes da abertura da disputa.

As apurações divulgadas apontam possíveis interferências nos estudos técnicos, nas exigências de habilitação, nos critérios de pontuação e na elaboração de documentos administrativos. Também são investigados pagamentos ou promessas de vantagens indevidas e circulação reservada de informações para favorecer uma empresa.

Na denúncia apresentada contra investigados da primeira fase, o Gaeco apontou a contratação direta da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) como uma das etapas sob apuração. A acusação sustenta que o procedimento teria servido para inserir um integrante do grupo na modelagem da concessão. A alegação depende de julgamento.

A operação de setembro

A Operação Cavalo de Troia foi deflagrada em 9 de setembro. Na ocasião, houve sete prisões temporárias e cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio de bens e suspensão de procedimentos.

Entre os presos estavam Cilene Chabuh Bordezan, então secretária de Meio Ambiente; Vitor João de Freitas Costa, então secretário de Negócios Jurídicos; e Sara Moura de Jesus, então secretária-adjunta de Meio Ambiente. Os três foram exonerados pela Prefeitura.

Na mesma ocasião, foram realizadas diligências da Operação Mobius, voltada a suspeitas de irregularidades em contrato de coleta seletiva. Esse contrato e a concessão bilionária são objetos distintos, embora apareçam no contexto das apurações sobre resíduos em Bauru.

Seis investigados se tornaram réus

Em 7 de outubro, a Justiça recebeu denúncia contra seis pessoas: os três ex-integrantes da administração municipal, Hamilton Libório Agle, executivo da Estre Ambiental, Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da empresa, e Mario Luiz Silverio, consultor ligado à Fipe.

Conforme a divulgação sobre o recebimento da denúncia, o processo envolve acusações de organização criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, contratação direta ilegal e corrupção ativa e passiva.

Renato Purini não aparece nessa relação de seis denunciados. A prisão desta sexta-feira é um novo desdobramento e não permite atribuir automaticamente a ele todas as acusações formuladas contra os demais.

Licitação foi suspensa e depois anulada

O registro oficial da Prefeitura informa que a abertura da concorrência, prevista para 1º de setembro, foi suspensa por determinação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Posteriormente, o município iniciou o procedimento de anulação. A decisão definitiva foi tomada em 30 de setembro e publicada no portal de licitações em 1º de outubro.

A anulação do edital não encerra a investigação sobre possíveis irregularidades cometidas durante sua preparação.

Situação da prefeita e manifestações

Suéllen Rosim não é apontada como alvo da operação desta sexta-feira nas informações consultadas. Paralelamente, ela responde a um procedimento político-administrativo na Câmara Municipal relacionado à condução da concessão.

A Comissão Processante apura alegações de desatendimento a pedidos de informação do Legislativo, falhas nos deveres de governança e controle e possível omissão na defesa dos interesses municipais. Trata-se de procedimento distinto da investigação criminal.

A Prefeitura confirmou a operação desta sexta-feira e informou, em nota reproduzida pela imprensa, que ainda não havia sido oficialmente comunicada sobre seu objeto. Também declarou disponibilidade para colaborar com as autoridades.

Segundo o JCNET/Sampi, o advogado Jeferson Machado, identificado como defensor de Purini e da família Rosim, esteve na Central de Polícia Judiciária e não falou com a imprensa. Não foi localizada manifestação detalhada da defesa sobre os fundamentos da prisão.

A prisão e o recebimento de denúncia não representam condenação. As responsabilidades individuais permanecem sujeitas à apuração e ao julgamento.

Fontes:

- Prefeitura de Bauru - “Detalhes da Licitação: Concorrência Pública 17/2026”, registros de suspensão e anulação, consultados em 16 de outubro de 2026. - Prefeitura de Bauru - “Prefeitura de Bauru realiza audiência pública da concessão dos resíduos sólidos”, 18 de fevereiro de 2026. - Metrópoles - “Marido da prefeita, secretário de Bauru é preso por suspeita de corrupção”, 16 de outubro de 2026. - CNN Brasil - “Marido da prefeita e secretário de Bauru é preso em operação sobre fraude”, 16 de outubro de 2026. - JCNET/Sampi - “Secretário Renato Purini é preso em Operação do Gaeco em Bauru” e “Secretário Renato Purini já está na CPJ da Polícia Civil em Bauru”, 16 de outubro de 2026. - Sampi - “Bauru: Prefeitura exonera secretários presos em operação do Gaeco”, 9 de setembro de 2026. - JCNET/Sampi - “Justiça torna réus 6 por fraude em concessão de R$ 5 bi em Bauru”, 7 de outubro de 2026. - Câmara Municipal de Bauru - “‘CP do Lixo’ deve ouvir prefeita Suéllen Rosim nesta sexta-feira (16/10)”, 15 de outubro de 2026.

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