Quando informações sobre assédio, violência doméstica e crimes sexuais chegam ao ambiente de trabalho, o efeito pode ultrapassar os limites da empresa. Um colaborador orientado também leva esse conhecimento para casa, para a família, para os amigos e para a comunidade.

Foi com esse alcance que a Delegacia de Defesa da Mulher de Avaré participou, nesta sexta-feira, 4 de setembro, da Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho, a SIPAT 2026, promovida pela empresa Menegazzo.

A delegada titular da DDM, Janaína Jacolina Morais, conduziu uma palestra sobre assédio nas relações profissionais, violência de gênero, crimes contra a dignidade sexual e os caminhos disponíveis para proteção das vítimas.

Informação pode antecipar o pedido de ajuda

Um dos principais benefícios de ações como essa está na possibilidade de uma vítima identificar mais cedo que determinada situação ultrapassou os limites de uma relação saudável.

Muitas formas de violência não começam com agressões físicas. Podem surgir por meio de ameaças, constrangimentos, humilhações, perseguições, controle excessivo ou comportamentos abusivos repetidos.

Ao reconhecer esses sinais, a pessoa passa a ter mais condições de procurar apoio antes que a violência se torne mais grave.

A palestra também mostrou aos participantes como buscar atendimento, comunicar uma situação às autoridades e registrar uma ocorrência policial, além de explicar os instrumentos disponíveis para a proteção das vítimas.

Ambiente de trabalho também pode ser uma rede de apoio

O local de trabalho ocupa uma parte importante da rotina das pessoas e, em muitos casos, colegas e gestores estão entre os primeiros a perceber mudanças de comportamento de alguém que enfrenta uma situação de violência.

Por isso, orientar equipes sobre o tema pode fortalecer uma rede informal de proteção.

Uma pessoa que sabe identificar sinais de abuso pode acolher uma colega, indicar os canais corretos de atendimento ou simplesmente evitar que uma situação seja tratada como algo normal.

Na prática, a informação contribui para romper o silêncio que muitas vezes cerca casos de violência doméstica, assédio e crimes sexuais.

Ação alcançou outras cidades da região

O impacto da atividade não ficou restrito aos funcionários presentes na unidade de Avaré.

A apresentação foi transmitida para equipes da Menegazzo em Botucatu, Itapeva, Taquarituba e Itaí, ampliando o alcance das orientações para trabalhadores de diferentes municípios.

Esse formato permite que uma mesma ação preventiva chegue a centenas de pessoas e multiplique informações sobre direitos, proteção e canais de atendimento.

Prevenção também reduz a naturalização do assédio

Durante a palestra, Janaína abordou situações relacionadas ao assédio e a comportamentos que ultrapassam os limites de uma convivência profissional respeitosa.

A discussão é importante porque determinadas condutas ainda podem ser confundidas com brincadeiras, cobranças normais ou formas aceitáveis de relacionamento no trabalho.

Quando os limites são esclarecidos, funcionários e empresas passam a ter mais ferramentas para reconhecer constrangimentos, discriminações e práticas abusivas.

Isso pode contribuir para ambientes profissionais mais seguros e para a prevenção de situações que podem gerar consequências emocionais, trabalhistas e até criminais.

Violência contra a mulher não é um problema apenas da vítima

Outro aspecto importante da iniciativa é retirar a violência do campo exclusivamente privado.

Casos de violência doméstica e familiar afetam não apenas a mulher diretamente envolvida, mas também filhos, familiares, colegas de trabalho e toda a rede social ao redor da vítima.

As consequências podem aparecer na saúde emocional, no desempenho profissional, na renda familiar e na própria segurança de crianças e adolescentes que convivem naquele ambiente.

Por isso, ampliar o conhecimento da população sobre prevenção e proteção também representa uma forma de reduzir os impactos sociais provocados pela violência.

Polícia Civil também atua antes do crime se agravar

A presença da DDM na SIPAT mostra uma dimensão da atuação policial que vai além do registro de ocorrências e da investigação criminal.

Ao participar de ações educativas, a Polícia Civil aproxima os serviços de proteção da população e permite que informações importantes cheguem até pessoas que talvez nunca tenham procurado uma delegacia.

A delegada Janaína Jacolina Morais esteve acompanhada pelo escrivão de Polícia Guilherme Rocha Bressan durante a atividade.

Ao levar esse conteúdo diretamente para empresas e trabalhadores, a DDM amplia a prevenção e reforça uma mensagem simples, mas essencial: conhecer os próprios direitos e saber onde procurar ajuda pode ser decisivo para interromper uma situação de violência.