Noite histórica: depois de 16 anos, as ADIs de Avaré são, enfim, professoras
Com o plenário lotado por quem viveu cada etapa da luta, a Câmara aprovou o projeto que leva as Auxiliares de Desenvolvimento Infantil para a carreira do magistério
Algumas conquistas se medem em números. Outras se medem em anos de espera. A noite de segunda-feira, 19 de outubro, foi das duas.
Quando começou a votação do Projeto de Lei Complementar nº 205/2026, o plenário da Câmara de Avaré já não tinha lugar vazio. Ali estavam elas, as ADIs, Auxiliares de Desenvolvimento Infantil. Saíram depois de um dia inteiro cuidando de crianças, deixaram casa e família e foram ver de perto o momento que esperavam havia 16 anos. O projeto foi aprovado por unanimidade. A partir dali, elas deixaram de ser auxiliares e passaram a ser o que sempre foram: professoras.
Uma geração inteira de espera
Para entender o tamanho dessa noite, é preciso voltar no tempo. Os bebês que essas profissionais embalavam nas creches quando a luta começou hoje estão terminando o ensino médio. Uma geração inteira cresceu enquanto elas esperavam reconhecimento.
Nesses anos, elas acalmaram choros, ensinaram as primeiras palavras, as primeiras cores e os primeiros rabiscos no papel. Na prática, educavam todos os dias. No papel, continuavam sendo auxiliares.
Uma luta que não desistiu
Foram anos de reuniões, idas à Câmara, cobranças e esperança renovada. A causa ganhou força no país inteiro, e Avaré teve voz nela: a professora Ana Carla falou em nome do movimento Somos Todas Professoras nos debates que levaram à Lei Federal nº 15.326/2026. Essa lei incluiu as profissionais auxiliares da educação infantil no magistério, mas deixou a palavra final para cada município. O enquadramento dependia de um projeto do prefeito.
O dia em que o sonho virou lei
Foi nesta gestão que a espera terminou. O projeto, de autoria do prefeito Roberto Araújo, altera a legislação que organiza o plano de cargos e a carreira do magistério municipal e coloca o cargo de ADI dentro da carreira docente. Nenhum vereador votou contra. As ADIs tinham ido à Câmara para festejar, e o plenário virou festa.
Mais que um nome novo
Para quem vê de fora, pode parecer só uma troca de nomenclatura. Para quem passou esses anos dentro das salas das creches, é ouvir oficialmente que o trabalho delas é ensino. É respeito. É dignidade.
As famílias avareenses também ganham: os primeiros anos de vida de seus filhos estão, oficialmente, nas mãos de professoras.
Na segunda-feira, Avaré não aprovou apenas uma lei. Reconheceu, enfim, quem cuida do começo de tudo.