A cada ciclo eleitoral, Avaré — como quase toda cidade brasileira — muda de cara. Wind banners brotam nas calçadas, outdoors tomam o horizonte, postes viram totens de fita adesiva e arame, e o carro de som repete o mesmo jingle em looping pelas ruas do centro e dos bairros. É a poluição visual da democracia: uma enxurrada de rostos, números e slogans que promete informar o eleitor, mas nem sempre cumpre essa promessa. Neste ano, o processo ganha ainda mais peso porque 2026 é ano de eleições gerais — a disputa mais ampla do calendário eleitoral brasileiro, que renova a Presidência, os governos estaduais, o Senado e as Câmaras legislativas. Quanto custa essa enxurrada de campanha O financiamento das campanhas eleitorais no Brasil é bancado, em grande parte, com dinheiro público — o chamado Fundo Eleitoral (ou Fundo Especial de Financiamento de Campanha, FEFC). Para 2026, o TSE liberou cerca de R$ 4,96 bilhões, valor que será repartido entre os 30 partidos registrados no país para custear tudo: de material impresso e wind banners a marqueteiros, deslocamentos e impulsionamento de conteúdo nas redes. Esse montante é resultado de um crescimento expressivo: a verba destinada a esse fim saltou de cerca de R$ 1 bilhão para praticamente R$ 5 bilhões, após decisão do Congresso no fim de 2025. A distribuição entre os partidos segue critérios de representação — quanto maior a bancada de deputados federais e senadores, maior a fatia do fundo. Na prática, isso significa que os partidos maiores recebem proporcionalmente mais recursos públicos, inclusive para financiar a estrutura visual que toma conta das ruas. Em termos locais, cada wind banner ou faixa de rua custa, em média, entre R$150 e R$400 — um valor aparentemente pequeno, mas que se multiplica rapidamente quando dezenas de candidatos a diferentes cargos disputam espaço na mesma cidade. Passada a eleição, boa parte desse material — plástico, PVC, lona, arame — vira lixo, raramente reciclado, sobrando para o município lidar com o descarte. A pergunta que fica: esse investimento realmente ajuda o eleitor a conhecer propostas, ou serve, sobretudo, para fixar nome e número na memória? Os desafios de quem quer votar bem Escolher um bom candidato em meio a esse excesso de estímulo visual — e pouco conteúdo — é um desafio real. Alguns obstáculos comuns: • Excesso de informação vazia: muita propaganda repete rosto, número e slogan, mas não apresenta plano de governo, propostas concretas ou histórico de atuação. • Dificuldade de checar histórico: poucos eleitores checam prestação de contas, projetos de lei apresentados ou votações anteriores de quem já ocupou cargo público. • Cargos “distantes” do dia a dia: para deputado federal, estadual ou senador, o eleitor muitas vezes não sabe claramente o que o cargo faz — o que facilita decisões baseadas só em aparência ou indicação de terceiros. • Polarização: decisões guiadas puramente por identificação partidária ou ideológica, sem avaliar o candidato individualmente. Sugestões práticas para escolher com mais consciência 1. Vá além do wind banner. Pesquise o site do TSE (Divulgacand) para ver propostas registradas oficialmente pelo candidato. 2. Veja a prestação de contas. O portal do TSE mostra de onde vem o dinheiro de campanha de cada candidato — isso revela muito sobre a quem ele pode responder depois de eleito. 3. Cheque o histórico, não só o discurso. Para quem já ocupou cargo público, é possível consultar projetos apresentados, presença em votações e emendas destinadas ao município — inclusive a Avaré. 4. Avalie o cargo, não só o rosto. Entenda o que cada função realmente faz (deputado legisla e fiscaliza; governador administra o estado; senador atua no Congresso) antes de decidir o voto. 5. Desconfie de promessas fora da competência do cargo. Um candidato a deputado estadual prometendo resolver segurança federal, por exemplo, está prometendo algo fora de sua alçada. 6. Converse, mas não delegue o voto. Ouça a família e vizinhos, mas confirme as informações antes de decidir. O que Avaré vai eleger em 2026 É importante alinhar as expectativas: 2026 é ano de eleições gerais, não de eleição municipal. Ou seja, Avaré não vai eleger prefeito ou vereador este ano (isso acontece em 2028). Os avareenses vão às urnas para escolher: • Presidente e vice-presidente da República • Governador e vice-governador de São Paulo • Dois senadores pelo estado de São Paulo • Deputados federais (513 vagas em disputa no país) • Deputados estaduais (o número de vagas varia por estado) A votação segue uma ordem fixa na urna: primeiro deputado federal, depois deputado estadual, em seguida os dois votos para senador, depois governador e, por último, presidente. Datas para guardar na agenda • 1º turno: 4 de outubro de 2026 • 2º turno (caso necessário, apenas para presidente e governador): 25 de outubro de 2026 • Horário de votação: das 8h às 17h, horário de Brasília

Para fechar A poluição visual nas ruas de Avaré é, no fim das contas, um sintoma — não a causa — de um sistema eleitoral caro e ainda pouco focado em conteúdo. Cabe ao eleitor furar essa bolha de plástico e arame e buscar, com mais esforço, a informação que realmente importa antes de votar.