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Comércio no limite: empreendedores de Avaré relatam demissões e cobram transparência sobre obras no centro

Com cartazes e faixas pretas sobre a boca, empresários foram à Câmara Municipal denunciar prejuízos causados pelas interdições e pela lentidão dos trabalhos. Manifestantes ressaltaram que o movimento não é político e pediram diálogo com a Prefeitura

Redação Em Pauta•
Comércio no limite: empreendedores de Avaré relatam demissões e cobram transparência sobre obras no centro

A preocupação com a sobrevivência dos próprios negócios levou empresários e comerciantes do centro de Avaré à Câmara Municipal na noite de segunda-feira, 19 de outubro. Com cartazes que traziam palavras como “Luto”, “Demissões” e “Até quando?”, os manifestantes denunciaram os impactos econômicos das obras de combate às enchentes e cobraram respostas sobre o andamento das intervenções.

Faixas pretas sobre a boca simbolizaram o silêncio que, segundo os participantes, marca a relação com o Poder Executivo municipal e a empresa responsável pelos serviços.

Durante a sessão, os empreendedores fizeram questão de esclarecer que a manifestação não representa uma disputa política. O objetivo, afirmaram, é garantir mais transparência, informações sobre o cronograma e condições para manter os estabelecimentos funcionando enquanto as obras avançam.

Embora reconheçam a necessidade das intervenções para solucionar os históricos problemas de alagamento, os comerciantes afirmam que a lentidão dos trabalhos e as interdições prolongadas estão provocando consequências cada vez mais difíceis de suportar.

Comércio perde clientes da região e enfrenta queda nas vendas

O centro de Avaré concentra estabelecimentos que atendem não apenas moradores do município, mas também consumidores de cidades vizinhas, responsáveis por uma parcela importante da movimentação econômica local.

Segundo os empresários, as dificuldades de acesso, os desvios e os bloqueios de ruas têm afastado esse público, que estaria deixando de visitar Avaré para realizar compras e contratar serviços.

A redução do movimento compromete o faturamento e coloca em risco o planejamento financeiro dos estabelecimentos.

Os empreendedores explicam que se prepararam para enfrentar um período de vendas menores durante as obras, organizando reservas para manter salários, fornecedores, aluguéis e demais compromissos.

Entretanto, os recursos estão chegando ao limite.

Alguns comerciantes relatam que já precisaram demitir funcionários para reduzir despesas. Ainda não há um levantamento consolidado sobre o número de desligamentos relacionados às intervenções.

A situação preocupa especialmente diante da proximidade das vendas de fim de ano, período considerado fundamental para o faturamento do comércio.

Falta de comunicação é a principal reclamação

Entre os problemas apresentados na Câmara, a ausência de diálogo contínuo com a Prefeitura e a empresa executora foi apontada como o mais preocupante.

Os manifestantes afirmam que tiveram apenas uma reunião para tratar diretamente das consequências das obras.

Sem informações atualizadas sobre as próximas etapas, os períodos de interdição e a liberação das vias, os empresários dizem enfrentar dificuldades para organizar suas atividades e tomar decisões financeiras.

Há também o receio de que os serviços demorem mais do que o previsto, embora não exista confirmação de descumprimento do prazo contratual.

Para os empreendedores, a cobrança por esclarecimentos não deve ser interpretada como oposição à administração municipal, mas como uma necessidade de quem enfrenta diariamente os efeitos das intervenções.

Eles defendem reuniões periódicas, divulgação antecipada de bloqueios e medidas para melhorar o acesso aos estabelecimentos durante a execução dos trabalhos.

Obra já recebeu aditivo de R$ 2,1 milhões

A obra de macrodrenagem é executada pela Nova Dimensão Engenharia Ltda., contratada inicialmente por R$ 9,89 milhões.

Em 28 de maio, pouco depois do início das intervenções, o contrato recebeu um aditivo de R$ 2,14 milhões, elevando o valor total para aproximadamente R$ 12,04 milhões.

O acréscimo foi publicado oficialmente em 1º de junho de 2026.

Vereadores manifestam apoio e cobram esclarecimentos

Durante a sessão, vereadores demonstraram solidariedade aos comerciantes diante dos relatos de queda nas vendas, demissões e dificuldades financeiras.

A discussão também reforçou a necessidade de acompanhar o planejamento das intervenções e seus efeitos sobre as atividades econômicas da região central.

O Requerimento nº 703/2026, apresentado pela vereadora Adalgisa Lopes Ward, solicita ao prefeito e à empresa responsável informações sobre o cronograma operacional da macrodrenagem.

Os esclarecimentos são considerados importantes para que os empresários possam se organizar e reduzir as incertezas sobre a continuidade dos serviços.

Prefeitura prevê pavimentação de duas ruas até novembro

Em reunião realizada no dia 15 de outubro com o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Avaré (Acia), Cassio Jamil Ferreira, o prefeito Roberto Araujo informou que a pavimentação dos trechos em obras das ruas Santa Catarina e Rio Grande do Sul deverá ser concluída até 20 de novembro.

A previsão não representa o encerramento de toda a obra de macrodrenagem, que também contempla outras vias da região central.

Na ocasião, a Prefeitura se colocou à disposição para realizar uma nova reunião com representantes do comércio, acompanhada da Secretaria Municipal de Planejamento e Obras, para apresentar o cronograma e esclarecer dúvidas.

A obra é necessária, mas o comércio precisa continuar

A manifestação evidenciou um desafio que vai além dos transtornos temporários provocados por uma intervenção de infraestrutura.

Para os empreendedores, existe uma diferença entre reconhecer a importância de uma obra e conseguir suportar financeiramente suas consequências.

O combate às enchentes é uma necessidade histórica de Avaré, mas os comerciantes defendem que a execução dos serviços considere também a preservação dos empregos e das atividades econômicas afetadas.

A principal reivindicação é participar das discussões, receber informações confiáveis e conhecer as medidas previstas para minimizar os prejuízos.

Ao deixarem a Câmara Municipal, os manifestantes reforçaram que não buscam um confronto político, mas respostas para uma situação que se agrava a cada dia.

Os cartazes e as faixas pretas representaram a preocupação de quem já reorganizou despesas, utilizou reservas financeiras e agora teme não conseguir manter as portas abertas até a normalização das atividades.

Para esses empreendedores, a questão deixou de ser apenas quando a obra terminará. O desafio é saber como continuar trabalhando até lá.

O Em Pauta Avaré mantém espaço aberto para manifestações da Prefeitura Municipal e da Nova Dimensão Engenharia sobre o andamento das obras e as medidas destinadas a reduzir os impactos sobre o comércio.

Fontes: Relatos dos empreendedores e cobertura do Em Pauta Avaré sobre a manifestação de 19 de outubro de 2026; Diário Oficial do Estado de São Paulo de 1º de junho de 2026; Portal da Transparência Municipal; Câmara Municipal de Avaré, Requerimento nº 703/2026; Associação Comercial de Avaré.

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