O reajuste de 5% nos vencimentos dos servidores públicos municipais de Avaré, válido a partir de 1º de setembro de 2026, representa mais do que uma atualização na folha de pagamento da Prefeitura.

Quando observado sob a perspectiva econômica, o aumento coloca mais renda mensal nas mãos de centenas de famílias que moram, consomem e contratam serviços no município - dinheiro que tende a circular por supermercados, farmácias, lojas, restaurantes, prestadores de serviços e outros segmentos da economia local.

A medida foi aprovada pelo Legislativo e formalizada pela Lei Complementar nº 409/2026, publicada no Diário Oficial do Município em 1º de setembro. O reajuste contempla os servidores e empregados públicos abrangidos pela legislação, além dos aposentados e pensionistas vinculados ao AvaréPrev que possuem direito à paridade.

Algumas categorias seguem regras remuneratórias específicas e, por isso, não entram no reajuste geral de 5%, como agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, que possuem remuneração vinculada ao piso nacional, além de situações decorrentes de convênios específicos.

Segundo ano consecutivo com reajuste de 5%

A revisão de 2026 também chama atenção quando comparada ao ano anterior. Em setembro de 2025, os servidores municipais de Avaré também receberam reajuste de 5%. Naquela ocasião, o Executivo justificou que a revisão atendia ao princípio constitucional da revisão geral anual e informou que o percentual estava acima dos principais índices inflacionários considerados na proposta.

O INPC utilizado como referência era de 4,77% e o IPCA de 4,83%. O reajuste concedido naquele ano, portanto, ficou ligeiramente acima dos dois indicadores. Agora, em 2026, um novo reajuste de 5% é incorporado aos vencimentos. É importante observar que dois reajustes consecutivos de 5% não equivalem simplesmente a 10% sobre o salário original.

Como o segundo percentual incide sobre uma remuneração que já havia sido reajustada no ano anterior, a variação acumulada nominal chega a aproximadamente 10,25% em relação à base anterior ao reajuste de 2025, desconsiderando outras alterações salariais individuais. Isso não significa ganho real de 10,25%, porque é necessário descontar a inflação acumulada no mesmo período para medir efetivamente o aumento do poder de compra.

Ainda assim, a continuidade da revisão evita que todo o avanço dos preços recaia exclusivamente sobre a renda do trabalhador.

Quanto o reajuste vai movimentar?

Segundo os dados apresentados pela Secretaria Municipal da Fazenda e divulgados durante a tramitação da medida, o impacto adicional estimado do reajuste até o final de 2026 é de aproximadamente R$ 3,08 milhões.

Esse número é particularmente importante quando a discussão deixa o campo exclusivamente da despesa pública e passa para a economia municipal. O dinheiro pago em salários não desaparece depois que sai do caixa da Prefeitura. Uma parte retorna imediatamente à economia. O servidor paga o supermercado. Compra medicamentos. Abastece o veículo. Paga aluguel ou prestação da casa. Compra roupas. Vai a restaurantes. Contrata serviços.

Paga escola, academia, salão, oficina e profissionais autônomos.

Em uma economia municipal como a de Avaré, boa parte dessas relações comerciais ocorre dentro do próprio município. Por isso, uma parcela dos R$ 3,08 milhões adicionais previstos para apenas quatro meses de 2026 tem potencial de retornar ao mercado local na forma de consumo.

Quando a renda disponível das famílias cresce, aumenta também sua capacidade de consumir bens e serviços. ## Do salário ao caixa do comércio

Imagine um servidor que, após o reajuste, passe a receber R$ 150 adicionais por mês. Individualmente, o valor pode parecer pequeno. Mas quando reajustes semelhantes são distribuídos por um grande quadro funcional e se repetem mensalmente, o resultado agregado assume outra dimensão. São compras adicionais no supermercado, consumo no comércio, pagamentos a pequenos prestadores de serviços e eventualmente até retomada de despesas que haviam sido adiadas. Esse movimento beneficia especialmente negócios que dependem do consumidor local. E existe uma segunda etapa. Quando um supermercado vende mais, precisa repor mercadorias. Quando um restaurante recebe mais clientes, compra mais alimentos. Quando uma loja aumenta as vendas, recompõe estoque. Quando um prestador de serviço ganha mais trabalho, também passa a consumir. É o chamado efeito multiplicador da renda. O mesmo dinheiro pode participar de várias operações econômicas antes de sair do circuito local.

A proximidade do final do ano amplia o efeito

Há ainda um componente temporal importante.

O reajuste começa justamente em setembro, quando Avaré entra em um período tradicionalmente movimentado para a economia: aniversário do município, EMAPA, seguido por Dia das Crianças, Black Friday, pagamento de décimo terceiro e festas de final de ano.

O aumento salarial chega, portanto, às famílias pouco antes do período no qual o comércio tradicionalmente registra maior movimento. Para os lojistas e prestadores de serviços, isso significa a presença de uma massa adicional de renda disponível exatamente no último quadrimestre do ano.

E quanto custa para o município?

Os dados divulgados pela administração estimam R$ 3,08 milhões de impacto financeiro adicional até o encerramento de 2026. A Prefeitura informou ainda que, mesmo após a revisão, a despesa com pessoal permanecerá em aproximadamente 38,8%, abaixo do limite máximo de 54% aplicável ao Poder Executivo municipal pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Esse ponto é relevante. Políticas de valorização salarial precisam necessariamente ser compatíveis com a capacidade financeira do município, porque uma expansão permanente de salários também cria uma despesa permanente para os exercícios seguintes.

O desafio da administração é justamente equilibrar essas duas dimensões: valorizar o servidor sem comprometer a sustentabilidade das contas públicas.

Quem recebe

A legislação beneficia servidores e empregados públicos municipais enquadrados nas regras da revisão geral, além dos aposentados e pensionistas do AvaréPrev com direito à paridade.

O pagamento dos benefícios dos inativos é realizado com recursos do regime próprio de previdência, observadas as regras previdenciárias.

O Portal da Transparência da Prefeitura mantém a relação dos servidores ativos e respectivas folhas de pagamento.

Até a publicação desta reportagem, entretanto, não foi localizado nos documentos oficiais consultados um demonstrativo consolidado informando exatamente quantas pessoas receberão especificamente o reajuste de 5% de 2026, somando ativos, aposentados e pensionistas com paridade e excluindo as categorias submetidas a regras próprias.

Por rigor jornalístico, o Em Pauta Avaré não atribui um número que não esteja respaldado em documento oficial. ## Em números

Reajuste em 2026: 5%

Início dos efeitos: 1º de setembro de 2026

Reajuste concedido em 2025: 5%

Variação nominal acumulada dos dois reajustes: aproximadamente 10,25% sobre a base anterior a setembro de 2025

Impacto adicional estimado até dezembro de 2026: R$ 3,08 milhões

Despesa com pessoal após a medida: aproximadamente 38,8%

Limite fiscal citado para o Executivo: 54%